PF avança a fronteira para combater tráfico de drogas

A Polícia Federal lançou mão de uma nova tática para combater o tráfico de drogas nas fronteiras: os policiais brasileiros entram no território de outros países, como Peru e Paraguai, para destruir plantações de maconha e da folha de coca, matéria-prima da cocaína e do crack.

A estratégia surgiu após a PF identificar um problema -o de que, há cinco anos, a coca vem sendo plantada cada vez mais perto da fronteira, o que facilita a entrada no país.

Em 2008, o Brasil começou a fazer acordos de cooperação com os vizinhos para trocar informações de inteligência sobre traficantes internacionais.

No ano passado, foi fechado o acordo com o Peru tratando especificamente da entrada dos brasileiros em território peruano para a destruição de plantações e laboratórios -o contrário não está previsto.

Os acordos são acompanhados pelo Itamaraty.

Entre agentes, a tática é chamada de “nosso Plano Colômbia” -referência à ação dos EUA para combater o narcotráfico em solo colombiano.

O projeto ainda é visto com desconfiança por policiais peruanos com quem a reportagem conversou. Eles não quiseram se pronunciar oficialmente, sob argumento de que ainda é cedo para prever resultados.

Nos últimos 15 dias, a PF realizou uma operação em Tabatinga (AM), batizada de Trapézio, em referência à fronteira com Peru e Colômbia.

Em solo peruano, a PF destruiu 100 hectares de plantação de folha de coca, que gerariam mais de 700 kg de droga. A planta leva ao menos dois anos para crescer de novo.

Com a ajuda de agentes peruanos, colombianos e da DEA (agência antidrogas dos EUA), os brasileiros explodiram ainda laboratórios do tráfico.

A PF também tem acordo para entrar no Paraguai. A ideia é repetir a tática na Colômbia e, principalmente, na Bolívia, o que depende do aval do governo Evo Morales. Como a reportagem revelou em julho, 54% da cocaína que entra no Brasil vêm da Bolívia e 38% do Peru.

“Erradicar as plantações é mais eficiente do que simplesmente apreender a carga. Esses pés estão próximos à fronteira com o Brasil, ou seja, vão abastecer o mercado brasileiro”, disse o Diretor de Combate ao Crime Organizado da PF, delegado Oslain Santana.

O Brasil tem 16,8 mil km de fronteiras e só cerca de 1.400 policiais no controle. Só o limite com a Bolívia tem o tamanho da divisão entre EUA e México. Os americanos, porém, têm mais de 20.000 agentes lá.

“Não se combate crime organizado só com trabalho ostensivo. No caso do tráfico, é preciso identificar quem comete o crime”, diz Santana.

Um outro projeto da PF para as fronteiras, o uso dos Vants (aviões não tripulados), está atrasado.

Ele começou na gestão do ex-diretor Luiz Fernando Corrêa, mas só um avião está apto. Há pendências com o Tribunal de Contas da União, que considerou desproporcionais os gastos com treinamento e manutenção.

Missões em outros países envolvem riscos. Em 2011, dois agentes foram mortos durante investigação na fronteira com o Peru. O traficante peruano responsável pelas mortes foi preso.

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