Petrobrás vende ativos no México

A venda de participação da Petrobrás em seis blocos do Golfo do México, operados pela British Petroleum (BP), sugere nova estratégia da companhia na oferta de ativos na região. A tendência é de vendas isoladas com diferentes empresas, e não mais via um grande parceiro. A estatal chegou a procurar um sócio único para seus 175 blocos na região, a maioria adquirido antes da descoberta do pré-sal no Brasil, em 2006.

Em setembro do ano passado, a presidente da Petrobrás, Graça Foster, disse que estava “perto de fechar um negócio”, em uma entrevista ao Financial Times publicada em 2 de outubro. Graça avaliava os ativos da Petrobrás no Golfo em cerca de US$ 8 bilhões e dizia que a companhia estava pronta para se desfazer de algo entre US$ 4 bilhões e US$ 6 bilhões.

Mas, segundo apurou o Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, a Petrobrás teve dificuldade na negociação dos ativos, com interessados barganhando diante da urgência de caixa pela petroleira. As vendas estavam previstas para meados de 2012 como parte de um plano de desinvestimento quinquenal (2012-2016) de US$ 14,8 bilhões, com a Petrobrás levantando recursos no exterior para investir no pré-sal brasileiro.

O primeiro anúncio de negócio na região foi feito apenas ontem, com a Petrobrás recebendo US$ 110 milhões por uma fatia de 20% em seis blocos sem produção que já eram operados pela BP. A Petrobrás não confirmou o comprador, possivelmente pelo fato de o negócio ainda precisar ser aprovado por órgão regulador americano.

Receberá em troca, também, uma participação em um bloco onde já houve descoberta de petróleo, e onde terá mais perspectiva de geração de caixa. A Petrobrás não divulgou a localização ou detalhes do bloco. Apenas disse que fica perto do campo de Tiber, operado pela BP com 62%, tendo Petrobrás (20%) e ConocoPhilips (18%) como sócias, segundo a página da British Petroleum.

As operações. A Petrobrás produz no Golfo do México em três campos. O Campo de Cascade (100% Petrobrás) e vizinho de Chinook (66,6%, em parceria com a Total) começaram a produzir no ano passado. O outro, Cottonwood, iniciou produção em 2007.

As negociações continuam na região. Há duas semanas, o presidente da Shell no Brasil, André Araujo, confirmou negociações e disse que a companhia estava interessada em ativos no Golfo do México, inclusive da Petrobrás.

As transações de compra e venda de blocos também podem fazer parte de um acordo mais amplo que contemple a formação de consórcios para entrar nos leilões de áreas exploratórias deste ano. O primeiro, a 11ª rodada, acontecerá em duas semanas.

O plano de desinvestimento quinquenal da Petrobrás foi reduzido neste ano (2013-2017) em US$ 4,9 bilhões, para US$ 9,9 bilhões. Parte dessa diferença de US$ 4,9 bilhões foi executada com operações financeiras em 2012. Como foi o caso de uma troca de garantias com a Petros que rendeu cerca de R$ 5 bilhões ao caixa da petroleira.

Ainda assim houve redução nos planos de venda, embora a Petrobrás não tenha divulgado os números finais. Apesar da meta de vender US$ 9,9 bilhões, a maioria neste ano, o Broadcast apurou que o portfólio oferecido pela Petrobras passa de US$ 12 bilhões. Inclui ativos no Brasil, na Argentina e na Nigéria.

No Brasil, um dos ativos que teriam sido ofertados seria a participação da Petrobrás no Parque das Conchas, operado pela Shell na Bacia de Campos. Araújo preferiu não comentar negociações, mas disse que estava muito satisfeito com a operação. Xerelete e Maromba também estão entre os ativos que estariam à venda no Brasil. A Petrobrás não comenta.

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