Petista prega cautela no mandato e diz que só na eleição ‘se faz o diabo’

Rodeada por ministros, prefeitos, parlamentares e aos gritos de “poderosa” vindos de uma plateia formada por movimentos sociais, a presidente Dilma Rousseff desembarcou ontem na Paraíba, Estado comandado pelo PSB. Ela disse que na hora da eleição se pode “fazer o diabo”, mas, como presidente, é preciso ter cautela. Nas oito horas em que passou em solo paraibano, Dilma afagou parceiros, garantiu recursos, prometeu investimentos e colocou à disposição de aliados o cofre do governo federal.

“Nós podemos disputar eleição. Nós podemos brigar na eleição, nós podemos fazer o diabo quando é hora da eleição. Agora, quando a gente está no exercício do mandato, temos que respeitar o povo”, disse a presidente, cuja pré-candidatura à reeleição foi lançada no fim do mês passado pelo antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, durante um evento do PT.

A visita desmarcada outras vezes ocorreu em meio a disputa envolvendo o Planalto e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), potencial candidato a presidente em 2014.

Dilma tenta acalmar os ânimos do PSB ao mesmo tempo que manda recados de que não abre mão do eleitorado do Nordeste, conquistado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com afagos ao governador Ricardo Coutinho (PSB) e com o peso da caneta federal, tenta manter o paraibano na órbita do Planalto.

Usando uma das vitrines de seu governo, o Minha Casa Minha Vida, a presidente disse que não vai aceitar o uso político do programa. “Essas casas foram feitas com o dinheiro de vocês. Eu represento vocês aqui quando entrego a casa. Eles, os que recebem a casa, não devem nada a ninguém”, disse Dilma, ao entregar chaves das unidades para famílias de baixa renda.

‘Meu governador’. Nos dois discursos que fez, a presidente elogiou diversas vezes o “meu governador Ricardo Coutinho” e prometeu repasse de verbas e novas parcerias. Coutinho apresentou uma série de reivindicações, que chamou de desejos, e Dilma prometeu atendê-los.

Os dois passaram o tempo todo juntos, causando desconforto no prefeito de João Pessoa, o petista Luciano Cartaxo, adversário político de Coutinho.

Da capital, a presidente seguiu para um almoço na casa da família do ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro (PP), em Campina Grande. Em seguida, voou até a barragem de Acauã. “Essa obra é um símbolo do apreço e da prioridade que esse governo tem com a questão da água”, disse Dilma, ao assinar a ordem de serviço na barragem Acauã-Araçagi.

O discurso foi também uma resposta às criticas de que o governo federal tem feito pouco pela seca que atinge a região há meses. Segundo Dilma, o governo faz obras emergenciais e também estruturantes porque não quer que o nordestino viva de carros-pipa.

A obra de quase R$ 1 bilhão só deve ficar pronta em 2015. Após Coutinho afirmar que espera a presidente para anunciar a conclusão das obras, Dilma disse que voltará ao Estado. “Essa foi a primeira visita de muitas”, repetiu durante o dia.

Além de João Pessoa e Campina Grande, cidade governada pelo PSDB, Dilma foi a Itatuba, onde inaugurou um canal de interligação as obras da transposição do São Francisco.

Dilma elogiou os paraibanos, a história de resistência do Estado e as “mulheres-machos”.

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