Obama tenta recuperar vantagem e contra-atacar no 2º debate de candidatos à presidência dos EUA

O presidente dos Estados Unidos e candidato à reeleição, o democrata Barack Obama, e o republicano Mitt Romney fazem nesta terça-feira (16), às 22h (horário de Brasília), o segundo debate da eleição presidencial norte-americana.

O público poderá fazer perguntas aos candidatos durante o debate, que acontece na Universidade Hofstra, em Hempstead, perto de Nova York.

Enquanto Romney visitava Virgínia e Ohio, Estados considerados chave na disputa, Obama iniciou na sexta-feira (12) uma preparação para superar a imagem que deixou no primeiro debate, que foi no dia 3 de outubro em Denver, no Colorado.

De acordo com a imprensa internacional, seu desempenho foi considerado “decepcionante” e Romney foi apontado como “vencedor”. Pesquisas de intenção de voto apontam uma queda na vantagem que Obama tinha sobre Romney.

O presidente então viajou para Williamsburg, na Virgínia, para um treinamento de três dias, exclusivo para o debate, que é considerado decisivo na campanha. “Obama será mais enérgico”, disse na quinta-feira (11) um representante da Casa Branca.

Outro dos principais assessores de Obama, Robert Gibbs, criticou a postura de Romney no primeiro debate e disse que ele se mostrou “mágico e teatral”, ao “afastar-se das posições que manteve nos seis anos anteriores”. Gibbs ainda adiantou que Obama está disposto a “desafiar” o ex-governador de Massachusetts.

No primeiro debate em Denver, há quase duas semanas, Obama desconcertou os democratas com uma apática defesa de seu governo e fracassou em apresentar uma visão convincente sobre por que merece um segundo mandato, nesse que foi um dos piores desempenhos desde que os debates presidenciais passaram a ser televisionados, em 1960.

Foi o vice-presidente Joe Biden o responsável por dissipar parte do pânico em seu duelo na semana passada com o companheiro de chapa de Romney, Paul Ryan, mostrando a fibra combativa e a convicção que o presidente não teve.

Obama está sob pressão para mostrar mais força no debate de hoje, a 21 dias da eleição, diante de um oponente que se encontra no melhor momento de sua campanha.

Michael Kramer, professor de comunicação do St. Mary’s College, Indiana, disse que Obama deve ter contato visual com o público que assistir ao debate, e não ficar olhando suas notas, como ocorreu em Denver. “Precisa garantir que está falando diretamente com as pessoas que fazem as perguntas e se comprometer com elas, sendo mais dinâmico (…) precisa de mais energia em sua voz”, disse Kramer.

No entanto, o presidente deve evitar ser muito agressivo, advertiu o especialista. Os republicanos já trabalham com esta possibilidade.

“Acredito que o presidente Obama vá se mostrar muito desinibido. Vai ter que compensar o pobre primeiro debate”, considerou o senador republicano Rob Portman na rede de televisão ABC.

De forma privada, os assessores de Obama disseram que levaram menos de quinze minutos para perceber em Denver que seu chefe estava fora de jogo, mas têm confiança que terá um bom desempenho desta vez.

Seus seguidores esperam não apenas que ataque Romney por seu comentário depreciativo de que 47% dos eleitores votarão pela reeleição de Obama devido ao fato de se “sentirem vítimas” e acreditarem que o governo “deve se ocupar deles”.

Também esperam que aborde os direitos das mulheres, e que responda às críticas de Romney sobre o fato de não ter administrado da forma adequada o caso do ataque ao consulado americano em Benghazi, na Líbia, no dia 11 de setembro, no qual morreram quatro americanos, incluindo o embaixador.

O fraco desempenho de Obama em Denver foi tema onipresente das conversas entre as pessoas, e houve quem tenha se perguntado se o presidente não estava simplesmente esgotado após quatro anos de gestão sob uma forte crise econômica.

Após o debate de Denver, Romney diminuiu a vantagem de Obama nas pesquisas em nível nacional e minou sua vantagem nos Estados-chave que decidirão a eleição.

A última pesquisa da ABC/The Washington Post divulgada nesta segunda-feira (15) revela que ambos estão lado a lado: concede a Obama 49% das preferências contra 46% para Romney, diferença que entra na margem de erro.

Mas o presidente aparece à frente em nove Estados-chave: Colorado, Flórida, Iowa, Nevada, New Hampshire, Carolina do Norte, Ohio, Virgínia e Wisconsin –por 51% contra 46%.

O terceiro e último debate será realizado na Universidade de Lynn, situada em Boca Raton, na Flórida, no dia 22 de outubro.

Primeiro debate

O primeiro debate da eleição presidencial dos EUA realizado, em Denver, no Colorado, destacou muitas divergências entre as propostas de Obama e Romney, principalmente em relação a redução dos impostos e custos da saúde.

Enquanto Romney dedicou grande parte de seu tempo para criticar duramente a gestão de Obama, o presidente investiu em julgar os planos de governo de seu adversário republicano. Ambos, no entanto, abusaram dos números, estratégia que pode deixar os eleitores ainda mais confusos em entender as propostas democratas e republicanas.

Romney falou sobre seu plano de criar empregos ajudando os pequenos negócios e, em um momento mais duro, acusou o presidente de prejudicar a economia. “Estou preocupado que o caminho que estamos seguindo seja infrutífero”, disse Romney, em seus comentários iniciais, prometendo: “vou restaurar a vitalidade que fará a América voltar a funcionar”.

O candidato republicano ironizou seu adversário de voltar atrás em seu plano de cortes amplos de impostos. “Bem, nos últimos 18 meses, ele defende este plano tarifário e agora, cinco semanas antes das eleições, ele diz que esta sua ideia audaciosa ‘não tem importância’”, disse Obama, depois que Romney negou que seus planos aumentariam o déficit do orçamento americano.

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