Nível de atividade tem maior recuo mensal desde dezembro de 2008

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central, o IBC-Br, que é um indicador criado para tentar antecipar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) pela autoridade monetária, registrou retração de 1,4% em maio deste ano. A comparação foi feita pelo indicador dessazonalizado.

Trata-se da primeira queda do indicador desde fevereiro deste ano, quando foi registrado o recuo de 0,41% (dado revisado) e, também, a maior retração mensal desde dezembro de 2008 (-4,31%), segundo dados da autoridade monetária.

A queda no IBC-Br aconteceu um mês após o BC ter iniciado o ciclo de alta dos juros, com o objetivo de combater o crescimento da inflação. Em abril, a instituição subiu os juros básicos da economia de 7,25% para 7,5% ao ano, e em maio, a taxa avançou para 8% ao ano. Atualmente, já está em 8,5% ao ano após novo aumento realizado nesta semana.

No acumulado de janeiro a maio deste ano, de acordo com o Banco Central, o IBC-Br registrou crescimento de 3% sobre igual período de 2012. Neste caso, a comparação foi feita sem ajuste sazonal – considerada mais apropriada por economistas.

Resultados do IBC-Br X PIB
O IBC-Br foi criado para tentar ser um “antecedente” do PIB. O índice do BC incorpora estimativas para a agropecuária, indústria e setor de serviços, além dos impostos. Os últimos resultados do IBC-Br, porém, não têm demonstrado proximidade com os dados oficiais do Produto Interno Bruto, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado do IBC-Br de 2012, por exemplo, mostrou um crescimento de 1,6%. Posteriormente, o resultado oficial do PIB mostrou uma alta menor, de 0,9% no ano passado. No primeiro trimestre deste ano, o mesmo aconteceu. Enquanto o IBC-Br registrou uma expansão de 1,04% sobre os três últimos meses de 2012, o PIB veio menor: com um crescimento de 0,6%.

Em dezembro do ano passado, o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton, disse que o IBC-Br não seria uma medida de PIB, mesmo que tenha sido criado para tentar antecipar o resultado, mas apenas “um indicador útil” para o BC e para o setor privado. “Se o IBC-Br acertasse na mosca é que seria surpreendente”, afirmou ele na ocasião.

Desempenho da economia
O fraco desempenho da economia registrado em 2012, e no começo deste ano, aconteceu apesar de várias medidas anunciadas pelo governo no decorrer do ano passado, como a redução do IPI para linha branca e automóveis, do aumento do dólar e da redução em mais de R$ 100 bilhões dos chamados depósitos compulsórios.

O governo também reduziu, no ano passado, o IOF para empréstimos tomados pelas pessoas físicas, deu prosseguimento à desoneração da folha de pagamentos, liberou mais crédito para os estados, anunciou um programa de compras governamentais de R$ 8,4 bilhões, e também tomou medidas de defesa da concorrência.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, que estimava uma expansão da economia acima de 4% para este ano no fim de 2012, revisou seus números após a divulgação do PIB do primeiro trimestre, e admitiu que a taxa de expansão deste ano não chegará a 3,5%. Atualmente, segundo ele, a “meta” para o PIB deste ano é de um crescimento de 3%. O BC projeta 2,7% de expansão e o mercado financeiro estima um crescimento de 2,34% para 2013.

Definição dos juros
O IBC-Br é uma das ferramentas utilizadas pelo Banco Central para definir a taxa básica de juros da economia brasileira. Com crescimento menor, por exemplo, teoricamente haveria menos pressões inflacionárias. Atualmente, os juros básicos estão em 8,5% ao ano após três elevações em 2013.

Pelo sistema de metas de inflação, que vigora no Brasil, o BC tem de calibrar os juros para atingir as metas pré-estabelecidas. Para 2013, 2014 e 2015, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Deste modo, o IPCA pode ficar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.

A expectativa do mercado financeiro é de que os juros continuem subindo neste ano e terminem 2013 em 9,25% ao ano. Segundo analistas, a política de gastos públicos em alta, com um corte menor de gastos neste ano no orçamento por parte do governo federal, além da disparada do dólar, contribuem para pressionar a inflação.

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