Nadal não poupa reclamações na passagem pelo Brasil, mas elogia público e comemora recuperação

Franco e direto nas entrevistas coletivas, Rafael Nadal deu o que falar durante sua passagem por São Paulo na campanha vitoriosa do Aberto do Brasil. O espanhol reclamou das quadras, das bolas, das dores no joelho e também das novas regras da ATP (Associação dos Tenistas Profissionais). Mesmo com todas essas condições adversas, ele saiu com o título e deu um passo importante na recuperação de sua lesão no joelho esquerdo.

O Aberto do Brasil não é exatamente o tipo de torneio em que Nadal está acostumado a competir: quarto em importância no circuito, rende ao campeão apenas 250 pontos no ranking e R$ 162.100 em premiação. Para piorar, as condições da quadra surpreenderam o espanhol: “É mais rápida que a do Aberto dos Estados Unidos e da Austrália”. A combinação com a bola pequena e rápida agravou a situação. Mas, como saiu mordendo o troféu, o ex-número 1 amenizou o tom das críticas em sua última entrevista.

“Ao final de um torneio com título, a análise é sempre positiva. Passei meses de sofrimento e sensações negativas contínuas, e quando isso desaparece, tudo fica melhor”, comemorou Nadal, que encerrou um período de oito meses sem ganhar nenhum troféu. Ele ficou afastado do circuito durante sete meses devido à lesão no joelho esquerdo.

A volta por cima veio com a vitória por 2 a 0 sobre o argentino David Nalbandian, velho rival. Nadal contou com o apoio de mais de nove mil espectadores no Ibirapuera, e agradeceu pelo carinho: “O estádio estava fantástico, cheio de torcedores que estiveram do meu lado. A torcida aqui é muito passional, e evidentemente isso me ajudou”.

Mesmo durante a comemoração do título, Nadal não cessou sua metralhadora de críticas contra a ATP. A bola da Wilson escolhida pelo torneio é o principal alvo, mas o tenista isentou a organização de culpa: “A ATP não poderia permitir que se jogue com essa bola, mas não tem estrutura suficiente para analisar as condições”.

A nova regra do saque, que exige ao tenista o reinício do ponto em até 25 segundos, também foi atacada por Nadal: “Prejudica a qualidade do jogo. Até os árbitros sabem disso. Mas a ATP teve essa ideia brilhante… Eu posso me adaptar à regra, mas parece que ela não vai na direção que o público quer”. Antes mesmo de o torneio começar, ele já tinha criticado e entidade por não se preocupar com a saúde dos tenistas ao priorizar torneios disputados em quadras de cimento.

Em São Paulo, no entanto, a quadra em que Nadal jogou não ajudou muito nesse sentido. Foi motivo de críticas por parte de todos os jogadores. O próprio ex-número 1 chegou a afundar o pé em um buraco durante as quartas de final. Segundo ele, o saibro coberto na altitude paulistana é “mais rápido do que qualquer outra superfície do circuito”.

Antes de vir ao Brasil, o espanhol disputou o torneio de Viña del Mar, no Chile, onde foi vice-campeão. Mas Nadal argumentou que não há como comparar seu desempenho nos dois torneios, pois as condições de jogo do Aberto do Brasil são “anormais”. Para ele, jogar em uma quadra descoberta a nível do mar, como na competição chilena, é mais fácil pelo seu estilo de jogo.

Por isso, antes da final, Nadal estava pessimista. Ele tinha acabado de perder um set na vitória sobre o número 111 do mundo na semifinal, e chegou a dizer que não sabia se o seu joelho estaria preparado para a decisão: “A recuperação está demorando mais do que eu gostaria. Vamos precisar também de um pouquinho de sorte para que o joelho se recupere bem”.

Apesar de tudo, Nadal provou que seu joelho não está tão ruim assim ao conquistar um título mesmo em condições adversas como as que ele relatou. “Espero que possa servir como um recomeço”, ele disse. O próximo desafio do espanhol será daqui a uma semana, no ATP 500 de Acapulco, que promete ter um nível técnico maios que o de São Paulo. Antes, o campeão vai desfrutar de um período de descanso com a família na ilha mexicana de Cozumel.

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