Médico que queria surfar cria maior empresa do esporte no país

Por Felipe Vanini Bruning | DE SÃO PAULO

Referência entre os surfistas, a Mormaii, criada pelo médico gaúcho Marco Aurélio Raymundo, 62, exporta para 70 países e tem sua marca estampada em dezenas de produtos, como relógios, roupas, calçados e óculos, entre outros.

Seu faturamento aumentou de R$ 30 milhões para R$ 350 milhões em dez anos.

Hoje, as exportações representam 10% das receitas da marca, que está presente em 22 mil pontos de venda multimarcas do país.

Veja o depoimento do médico que só queria surfar e acabou criando a maior empresa nacional do esporte.

*

Não tinha pretensões de virar empresário. A roupa de borracha, que foi a origem da Mormaii, partiu de uma necessidade pessoal.

Antes, só se surfava no verão. Decidi fazer uma roupa para surfar na água fria de Garopaba (SC). A produção das primeiras roupas era totalmente artesanal.

Começou comigo e com a minha mulher costurando na garagem de casa.

Mais adiante, meus pacientes portadores de hanseníase passaram a ajudar.

Depois, meus amigos começaram a buscar as roupas. E aí me toquei de que isso podia ser uma saída para gerar emprego e melhorar a vida da comunidade.

CAMINHO

Sou gaúcho, de Porto Alegre. Comecei a surfar com 14 anos, em Torres (RS), com os pioneiros do esporte no Rio Grande do Sul, os irmãos Klaus e Jorge Gerdau Johannpeter, da siderúrgica Gerdau.

Eu me formei em medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, aos 24 anos, e vim para Garopaba. Virei o primeiro médico fixo da região, em 1974.

Já visitava a cidade desde os anos 60, trazendo remédios para a comunidade. Meu objetivo era ajudar na saúde da população.

Tem médico recém-formado que vai para a Amazônia. Eu decidi vir para Garopaba.

A cidade era uma vila de pescadores, sem água encanada e energia elétrica.

Minha geladeira funcionava a querosene e a luz era de lampião.

Caio Cezar Nascimento/Folhapress

 Médico que queria surfar cria maior empresa do esporte no país

Marco Aurélio Raymundo, o Morongo, 62, pratica “stand up paddle” em Garopaba (SC)

Durante dez anos, atuei como médico. Surfava nas horas vagas.

Acho que a medicina só resolve parcialmente a situação. Normalmente, a base dos problemas é econômica. Passei a fazer mais diferença para a comunidade como empresário.

Você trata uma doença e seis meses depois ela volta por falta de higiene, má alimentação e, principalmente, por falta de educação.

COMPETIÇÃO

Atualmente, o nível de competição das marcas de surfe é tão grande quanto o da indústria automotiva.

Há um mês, lançamos uma roupa de borracha sem zíper, a primeira do mundo. Mas o desenvolvimento de produtos não para.

Você “acaba” de lançar um produto e já está com mais três ou quatro em desenvolvimento.

Neste mundo tão acelerado, se você comer mosca, será atropelado. Por isso, faço o registro da patente.

A concorrência ainda não lançou um produto igual, mas, se não ficar esperto, daqui a pouco eles vão aparecer com o mesmo produto e ainda dizem que foram eles que inventaram.

Acho que o mais importante é criar produtos bons, que ajudam as pessoas a ter uma vida melhor. No meu caso, facilito a vida da galera que gosta do surfe.

Garopaba é hoje uma cidade próspera e ganha muito dinheiro com o turismo. Acabei atingindo o objetivo de ajudar minha cidade sendo empresário.

Entendeu a jogada? É um troço meio doido.

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