Líderes trocam ataques em debate

O debate Folha/RedeTV!, que ocorreu na noite desta segunda-feira (3), foi marcado pela troca de acusações entre os líderes nas pesquisas de intenção de voto. Três pedidos de respostas foram feitos, mas a organização não concedeu nenhum. Este foi o segundo debate realizado desde o início da campanha.

No primeiro bloco, Gabriel Chalita (PMDB) escolheu José Serra (PSDB) para fazer a sua pergunta e escolheu tema já abordado em debate anterior e em seus programas eleitorais.

“O senhor fechou as escolas em tempo integral. O senhor fechou ou não fechou?”

“Ninguém fechou nada”, respondeu Serra, que afirmou que Chalita assinou o decreto criando a escola em período integral três meses antes de sair da secretaria.

“Esperou quatro anos para colocar pra frente, ou seja, era pra outro tocar, não tinha recursos, não tinha preparação, não tinha espaço, ninguém fechou nada. O governo do Lembo, anterior ao meu, começou a ver como poderia trabalhar com isso, hoje deve ter 300 escolas nessa condição”, respondeu o tucano.

“Foi uma pena ele ter fechado as escolas em tempo integral”, disse Chalita, na réplica.

Serra afirmou que Chalita estava mentindo e que não tinha “praticamente nada” para apresentar.

“Quem disse que não conhecia o Paulo Preto não fui eu. Quem disse que não nomeou o Aref não fui eu. Quem disse que não sairia da prefeitura não fui eu”, rebateu Chalita, que deixou o PSDB após desavenças com Serra, então governador.

Paulo Preto foi diretor da Dersa, acusado de sumir com dinheiro da campanha do tucano em 2010. Em um primeiro momento, ao ser questionado sobre o episódio, Serra afirmou desconhecer o ex-diretor da estatal. Souza nega as acusações.

Serra e Chalita pediram direito de resposta, mas foram negados pela organização do debate.

Soninha Francine (PPS) questionou Fernando Haddad (PT) sobre o apoio de Paulo Maluf (PP). “Haddad, e o Maluf?”.

O petista afirmou que não ia “fulanizar” a política.

“Eu faço aliança com partidos políticos”, afirmou Haddad, que aproveitou para citar o apoio de Roberto Jefferson, do PTB, a Celso Russomanno, e de Valdemar Costa Neto, do PR, à Serra.

Jefferson e Costa Neto são réus no processo do mensalão.

Haddad, por sua vez, escolheu o líder nas pesquisas Celso Russomanno (PRB) para responder sobre transporte. O petista perguntou porquê o candidato do PRB é contra a sua proposta do Bilhete Único Mensal.

“Gostaria muito de conhecer seus números, eu não tenho problema nenhum em implantar se for possível. Mas quero que você mostre os estudos porque propaganda enganosa é crime, sou especialista em defesa do consumidor”, afirmou Russomanno.

Haddad respondeu em sua réplica que a equipe que criou sua proposta é a mesma que fez o Bilhete Único da ex-prefeita Marta Suplicy (PT).

“Ela também foi muito criticada na época. Eu não consigo compreender como uma cidade rica como são Paulo não pode conceder um benefício como esse que já existe em outras grandes cidade do mundo”, respondeu o petista.

“Não adianta a gente cuidar só do valor, a gente tem que cuidar da qualidade. E é isso que estou mostrando em meu programa. Os ônibus são feitos em chassi de caminhão, estão acabando com o rim das pessoas, tem que cuidar da qualidade também. E ai se funcionar porque aí o negocio vai cantar”, disse Russomanno em sua tréplica.

Rejeição

Ao ser questionado pela jornalista da Folha Vera Magalhães sobre os índices de rejeição e se ele acha que o eleitor de São Paulo o está responsabilizando por uma gestão mal avaliada do prefeito Gilberto Kassab (PSD), Serra justificou o número dizendo que é o mais conhecido entre os prefeituráveis e, por isso, tem mais eleitores que dizem não votar nele.

“Não fui eu quem deu a ele [Kassab] a prefeitura. Ele foi eleito com 61% dos votos contra a Marta”, afirmou o tucano. “Esse é um assunto que vai ser resolvido na eleição e não em pesquisa”, completou.

Vera pediu para Haddad comentar a resposta de Serra. Haddad afirmou que concorda que Serra seja o candidato mais conhecido e que, por isso, se expõe mais, porém diz que vê em São Paulo um sentimento por mudança, e não continuidade.

Na réplica, Serra lembrou que Lula perdeu várias vezes eleições.

“As derrotas me ensinaram. As vitórias também me ensinaram”, afirmou.

De acordo com a última pesquisa Datafolha, 43% dos eleitores dizem que não votariam no tucano.

Igreja

Russomanno –líder nas pesquisas de intenção de voto–, negou que seu partido seja controlado pela Igreja Universal no segundo bloco do debate.

A afirmação foi feita após a jornalista Patrícia Zorzan, da RedeTV!, perguntar ao candidato do PRB se caso eleito, seria influenciado pela religião.

“O meu partido é constituído por membros do Brasil inteiro e no meu partido 80% são católicos ou outras religiões e só 20% é evangélico. Só 6% [dos membros do partido] são da Universal”, afirmou Russomanno.

O candidato disse que é católico e que um dos fundadores da sigla foi José Alencar, que é “católico fervoroso”.

Ao comentar a resposta do líder nas pesquisas de intenção de voto, o tucano José Serra lembrou que o presidente da PRB, Marcos Pereira, é bispo licenciado da igreja.

“Não estamos fazendo eleição para papa do Brasil”, disse Russomanno em sua tréplica, questionando o interesse da população sobre debater religião na disputa municipal.

Ao responder uma pergunta de Paulinho da Força (PDT), no terceiro bloco do debate, Russomanno, afirmou ser vítima de um “massacre” por liderar as pesquisas de intenção e votos.

Paulinho questionou a ideia do candidato de rever os incentivos para a construção do Itaquerão. Russomanno afirmou que não é contra a construção do estádio e que foi mal interpretado.

“Eu quero fazer de São Paulo a capital mundial de eventos”, afirmou o candidato do PRB.

Paulinho ironizou Russomanno por negar declaração sobre o Itaquerão e defendeu a construção do estádio.

“Você demonstra não saber do que está falando. Eu estou sendo vítima de um massacre, todo mundo está vendo, porque estou em primeiro lugar nas pesquisas, mas eu não me deixo levar por isso”, afirmou Russomanno.

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