Inflação chega ao teto neste mês, diz FGV

Diante de uma alta generalizada de preços neste primeiro trimestre, a inflação caminha para bater o teto da meta do governo já em março e deve manter-se sob pressão ao menos até o início do segundo semestre.

O cenário pode levar o Banco Central a elevar a taxa de juros para combater os aumentos de preço.

Estudo inédito da Fundação Getulio Vargas, obtido pela Folha, mostra que o IPCA -índice oficial- em 12 meses vai cravar em março os 6,5%, banda superior da meta.

A consultoria LCA projeta a mesma taxa acumulada no terceiro mês do ano. Já a Tendências prevê 6,4%, com o pico de 6,5% em 12 meses sendo alcançado em junho.

Hoje, será divulgado o IPCA de fevereiro, que, apesar da freada, mostrará uma inflação ainda elevada e espalhada por muitos produtos.

PREVISÕES PARA O ANO

Para Alessandra Ribeiro, da Tendências, o cenário “é muito ruim” e demanda atenção do governo. “A taxa vai bater no teto da meta em junho e ficará pressionada, acima de 6%, até dezembro. É uma taxa muito alta”, diz.

Ainda assim, em sua avaliação, o BC não deve elevar a taxa de juros Selic para esfriar a economia e conter reajustes. “A presidente Dilma não vai querer abortar uma recuperação da economia, que se mostra ainda fraca.”

Para Emerson Marçal, da FGV, uma fonte adicional de pressão neste ano é o câmbio (o dólar mais caro aumenta a inflação), com impacto sobretudo nos alimentos.

“Com isso, não é desprezível a possibilidade de o BC ter de subir os juros para segurar a inflação. Se algo não evoluir bem e conforme o esperado, há um risco real de a inflação estourar até mesmo o teto da meta.”

Ribeiro também não descarta que a inflação supere os 6,5%. “Se isso acontecer, vai ser muito ruim para a credibilidade do regime de metas de inflação.”

A economista diz, porém, que a ação do BC mostra que o governo “tolera” uma inflação até o teto da meta e não atua para manter a taxa no ponto central dela –de 4,5% ao ano.

Segundo Etore Sanchez, da LCA, o cenário atual aponta para uma inflação de 5,4% em 2013, abaixo do teto da meta. Já a Tendências prevê uma taxa maior: 5,8%.

O economista diz, no entanto, que “sempre há a possibilidade de um choque externo”, que pode agravar a situação e obrigar o BC a agir, aumentando os juros.

Já o câmbio, diz, não deve ter impacto na inflação, pois a tendência é o dólar se manter no atual patamar de R$ 2.

Após a taxa de 0,86% em janeiro, a inflação deve se revelar um pouco menos pressionada em fevereiro e março, sob influência especialmente da redução das tarifas de energia. A Tendências projeta taxas de 0,45% e 0,38%, respectivamente.

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