Governo vai recorrer no plenário contra convocação de Palocci

O argumento de deputados governistas é que o presidente da Comissão, Lira Maia (DEM-PA), não seguiu o regimento ao proclamar o resultado da votação que convocou Palocci. “O presidente teve uma atitude ditatorial, nunca vi uma manobra tão baixa. Tudo se pode esperar de uma oposição que está perdida, menos isso”, disse o deputado Bohn Gass (PT-RS).

palocci 300x181 Governo vai recorrer no plenário contra convocação de PalocciA aprovação do requerimento aconteceu quando os governistas estavam concentrados em outras comissões da Casa e os principais líderes participavam de reunião de Coordenação Política no Palácio do Planalto. Os líderes do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), e do PT, Paulo Teixeira (SP), chegaram na câmara apenas por volta das 13 horas.

“Boi lerdo toma água suja”, resumiu o deputado Zonta (PP-SC), que estava presente na sessão e era contra a convocação de Palocci.

O processo de votação foi sem registro nominal e, como o presidente da Comissão é da oposição, aconteceu rapidamente. Isso foi possível graças a uma manobra pré-acordada entre PSDB e DEM, que já haviam pedido votação nominal em outra votação. O registro de voto só pode acontecer de uma em uma hora.

A base alega que Lira teria que ter seguido a manifestação dos deputados, feita anteriormente. Com isso, o requerimento não seria aprovado.

Depois de muitas brigas e discussões, Lira Maia encerrou a sessão, convocando outra apenas para a semana que vem. Ou seja, a decisão sobre a questão de ordem do governo pode ficar nas mãos do presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS).

No dia 15 passado, a Folha revelou que o ministro tinha comprado um apartamento de R$ 6,6 milhões, numa evolução patrimonial declarada de 20 vezes desde 2006. O governo entrou em crise política e paralisia, já que Palocci é o seu ministro mais forte.

Ele justificou a evolução por seu trabalho de consultoria. A Folha então revelou que, só no ano passado, ele ganhou R$ 20 milhões com os trabalhos para clientes que não revelou, alegando cláusula de confidencialidade nos contratos.

Metade disso foi ganha quando Palocci coordenava o grupo de transição do governo e tinha acesso a dados sigilosos.

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