Google busca parceria com mídia do país

O Google reúne hoje, em São Paulo, alguns dos principais “publishers” do país, em busca do aprofundamento de “parcerias” e com a justificativa de “dar apoio para sobreviverem à disrupção que está acontecendo” no setor.

Entre outros executivos, vêm para o evento no Brasil a vice-presidente de Parcerias Estratégicas do Google, a americana Bonita Stewart, 55, que cita sua experiência anterior em setores que enfrentarem “disrupção” como motivo para sua presença.

“Estou aqui pessoalmente porque sei que os ‘publishers’ estão atravessando uma grande mudança”, diz.

“Trabalhei em setores que atravessaram mudanças tremendas e posso compartilhar a experiência na indústria automobilística, por exemplo.”

O evento coincide com a investida do Google em vários países da Europa, para conter a reação de jornais e revistas que questionam o uso de seu conteúdo pelas ferramentas de agregação e busca.

Na França, o Google fechou um acordo criando um fundo para os jornais franceses. São € 60 milhões, com o argumento de estimular inovação. “Não é nossa intenção criar um fundo similar [no Brasil]“, diz Stewart, ao ser questionada se levantaria proposta semelhante, hoje.

“Foi um acordo que vínhamos trabalhando com a França desde 2011.”

Sobre a saída dos jornais brasileiros do agregador Google News, vista como similar à cobrança europeia por respeito à propriedade intelectual do conteúdo, a executiva não questiona diretamente, mas argumenta que nos EUA “os ‘publishers’ querem os cliques” levados pela ferramenta, “porque abrem novos consumidores para eles”.

Em contraponto aos conflitos na Europa, ela aponta as parcerias com jornais norte-americanos como modelo para o Brasil.

“Você pode pegar qualquer grande ‘publisher’ nos EUA e estaremos no caminho da parceria, da inovação, fazendo isso juntos.”

Ela relata manter reuniões “todo mês” com jornais para desenvolver estratégias de negócios. “Temos encontros de executivos, gastamos muito tempo trabalhando com os ‘publishers’”, diz. “Planejamos juntos, executamos juntos, e eles também vêm a nós com ideias inovadoras.”

Menciona o “Washington Post” como exemplar da estratégia do Google de “examinar todas as formas de monetização, aplicando nossa tecnologia”, nos EUA. No “Post”, foi um estudo de caso em que o jornal quis trabalhar especificamente sua força de venda direta.

Stewart aponta duas áreas em que vem crescendo a inovação nos EUA.

“Em aparelhos móveis, muitos dos nossos ‘publishers’ fazem ‘responsive design’ [projeto ágil, referência ao esforço de criar sites de fácil navegação] em HTML5. Vamos apoiar. Acreditamos que aparelhos móveis virão numa variedade de plataformas [não só no Android, o sistema do Google].”

Outra “tendência que usa tecnologia de base do Google”, diz, é a chamada “native advertising” [publicidade natural, que não se diferencia da experiência usual do consumidor no site]. “Como você vê, não faltam ‘publishers’ buscando inovação.”

Sérgio Maria, diretor de Parcerias Estratégicas na América Latina, diz que havia contatos no país, mas agora todas as tecnologias passaram a ser tratadas por uma só equipe. “O Google reuniu tudo. Então podemos nos reaproximar dos ‘publishers’ nesse novo conceito.”

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