Fundos imobiliários rendem mais de 30% no ano; veja vantagens e riscos

O mercado de fundos imobiliários tem apresentado grande crescimento no país neste ano. Dados da BM&FBovespa mostram que, até agosto, o número de investidores aumentou 36%, passando de 35.282 para 47.959.

O crescimento não aconteceu por acaso. De janeiro a setembro, o Ifix, índice criado pela BM&FBovespa que mede o comportamento de 44 fundos, teve uma variação positiva de 31,5%. Para efeito de comparação, no mesmo período o Ibovespa, que reúne as principais ações negociadas na Bolsa, subiu 4,27%.

A própria criação do Ifix é um termômetro da importância que esse tipo de aplicação tem ganhado no mercado, diz Sérgio Belezza, especialista no assunto e criador do site Fundo Imobiliário.

“Apesar de as taxas de juros ainda estarem altas no Brasil, o fato de terem caído nos últimos meses fez com que os fundos tivessem mais condições de competir com outros investimentos”, diz Belleza.

Isso acontece porque outros investimentos, como CDBs, têm o rendimento, ainda que indiretamente, atrelado à taxa Selic.

Aplicação em fundo permite diversificação

Os fundos imobiliários são formados por grupos de investidores que aplicam os recursos em todo tipo de imóvel. O retorno se dá de duas formas: pelo pagamento de dividendos (obtidos com o aluguel do imóvel) e pela valorização do imóvel.

A principal vantagem, dizem os especialistas, é a possibilidade que o investidor tem de aplicar dinheiro em imóveis que ele dificilmente teria condições de comprar, como shopping centers, galpões, universidades e hospitais.

“São empreendimentos excelentes, com inquilinos muito bons”, diz Belleza.

Para o professor de finanças do Insper Michael Viriato, os fundos são mais interessantes do que os investimentos diretos em imóveis ainda por outro motivo. “Eles permitem que se faça o investimento de maneira diversificada, em vários imóveis ao mesmo tempo.”

‘Não será tão fácil ganhar dinheiro daqui para a frente’

Diferentemente de quem compra um imóvel para alugar ou vender depois, porém, quem investe num fundo não tem o poder de decidir o futuro da aplicação sozinho.

“O imóvel fica sob administração do gestor do fundo, o que algumas pessoas podem considerar uma desvantagem”, diz Viriato, do Insper.

Além disso, ele diz que, apesar de os resultados dos fundos terem sido atrativos até agora, não é possível ter certeza de boa valorização nos próximos meses. Isso depende muito do comportamento do mercado imobiliário no país e da evolução dos preços.

“Se as taxas de juros continuarem caindo e os bancos continuarem dando crédito, dificilmente os preços dos imóveis vão cair. Mas também não devem subir. Daqui para a frente, não será tão fácil ganhar dinheiro com fundos como já foi.”

O fato de fundos promissores terem alcançado resultados aquém do esperado também serviu para acender o sinal de alerta. Foi o que aconteceu com o fundo do Shopping West Plaza, de São Paulo, por exemplo.

“O momento exige do investidor uma avaliação criteriosa, caso a caso”, diz Belleza.

As reclamações envolvendo os fundos de investimentos imobiliários têm registrado aumento. De acordo com dados da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), entre janeiro e agosto deste ano foram abertos 13 processos de reclamação envolvendo este tipo de produto. No mesmo período de 2011, houve apenas uma ocorrência deste tipo.

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