Fã dos livros da saga “Crepúsculo”, Kristen Stewart deu palpites durante filmagens de “Amanhecer”, conta diretor

MARIANE MORISAWA*
Colaboração para o UOL, de Los Angeles

O primeiro capítulo, que estreia nesta sexta-feira (18), foi rodado parcialmente no Brasil, onde Bella (Kristen Stewart) e Edward (Robert Pattinson) finalmente passam sua lua de mel e consumam o aguardado casamento. Depois dessa parte leve, entra o terror, quando Bella descobre-se grávida de uma criaturinha.

Condon falou ao UOL sobre os desafios impostos pelo projeto e a dificuldade de filmar por conta dos paparazzi, e afirmou nunca ter ouvido falar de um evento mundial de imprensa no Brasil, como foi divulgado.

UOL – O aspecto gótico foi o que realmente atraiu você?
Bill Condon – Acho que foi isso, sim. Tinha feito uma série de filmes biográficos e havia outro que estava tentando fazer, mas não aconteceu. Aí apareceu esse convite, que definitivamente ia ser feito. Vi uma oportunidade de dirigir um filme de gênero, algo que eu queria revisitar fazia um tempo. E também o fato de ter uma base de fãs. É interessante estar envolvido em algo pelo qual as pessoas têm tanta paixão. Parece mais interativo do que qualquer coisa que tenha feito antes.

UOL – Mas isso também coloca mais pressão sobre você, o que nem sempre é muito agradável.
Condon – É uma vantagem no começo, porque você ouve quais são as preocupações. Há o livro, ele vai se tornar um filme, quais são as questões? O que todos me diziam era: não alivie. Esse livro é realmente diferente, muito mais intenso. Então ninguém queria uma versão adocicada. E depois chega um ponto em que, quando você está fazendo um filme, só pode pensar nele.
UOL – Há um certo pânico com a aproximação do fim da saga, com o que será o próximo hit e tal.
Condon -
Uma coisa importante é que, se olharmos em perspectiva, há tantas franquias sobre adolescentes do sexo masculino, suas fantasias e questões. Além de “Crepúsculo”, há alguma outra que seja realmente uma história sobre uma garota? Em que a mulher está no centro? Para mim, esse é um dos motivos pelos quais a série se destacou, porque isso acontece muito raramente. Deveria ter mais desses agora que deu certo.
UOL – Como foi lidar com os paparazzi durante a filmagem?
Condon -
Achei que seria pior, porque começamos no Brasil. Estávamos nessa ilha, fazendo aquela cena em que eles jogam xadrez, e havia muitos barcos no mar, todos com paparazzi. Pensei que ia ser um pesadelo. Depois, tivemos a maior parte das filmagens num ambiente muito controlado em Baton Rouge. Fizemos coisas em estúdio, ninguém nos incomodou. E na cena do casamento a loucura voltou. Enquanto Kristen caminhava para o altar, dava para ouvir um helicóptero. Existiam rumores de que pessoas estavam no rio… É incrível ver até onde as pessoas podem ir.

UOL – E conseguiram a foto do casamento?
Condon -
Não conseguiram! Foi incrível. Nós estávamos escondidos pelas árvores e imediatamente colocamos algo sobre as copas para bloquear a visão.

UOL – Você mencionou que a filmagem no Brasil foi complicada por causa dos paparazzi. Havia rumores de que as entrevistas para a imprensa seriam lá. Foi por causa da confusão no Brasil que elas aconteceram em Los Angeles?
Condon -
Achei que íamos fazer só algum evento lá, não sabia que ia ser tudo. Teria sido incrível. Nunca soube disso, não sei por que não aconteceu lá. Não acho que tenha sido por causa dos fãs, porque você sempre pode se esconder num quarto de hotel.

UOL – Há material suficiente para o segundo filme?
Condon -
Sim, Deus, como tem! Bella vira vampira, Renesmee (filha de Bella e Edward) cresce até os dez anos de idade, e vampiros vêm do mundo todo.

UOL – No livro, o confronto entre os vampiros é resolvido depressa, eles se olham e acabou.
Condon -
Filmes são diferentes, você sabe? (risos)

UOL – Mas não dá para desviar muito.
Condon – É possível adicionar algumas coisas, sim. Você precisa tornar algumas passagens cinematográficas. Fiquei aliviado porque as pessoas dizem que o filme está tão parecido com o livro, e na verdade eu acho que nós inventamos um bocado.

UOL – Foi muito difícil imaginar como fazer a cena de imprinting (uma espécie de amor à primeira vista bem forte, do qual não se pode escapar)?
Condon – Sim, foi o maior desafio. Era a ideia mais controversa do livro. Então interpretar errado poderia resultar em algo meio arrepiante. Para ter certeza de que não acontecesse isso, levou tempo. Era uma coisa delicada.

UOL – Era preciso consultar Stephenie Meyer?
Condon – Ela estava no set o tempo todo, então claro que a gente consultava. Quando estávamos trabalhando no roteiro, ela viu tudo. Mas não participou da montagem. Sempre foi muito respeitosa.

UOL – Kristen Stewart tem muita convicção em relação a Bella. Como isso ajuda ou atrapalha no processo?
Condon – Sim, é verdade. Ela é a maior twihard [fã fanática dos livros da saga] de todas. Quero capturar isso. Por exemplo, quando Bella acorda depois da cena de sexo, está sozinha. Queria que a cena fosse sobre a memória do sexo, achava que ali estava a força. Mas Kristen acreditava que ela não podia acordar sozinha, que Edward tinha de estar lá com ela. Então, nós colidimos em relação a isso. Depois ela acabou aceitando a minha opinião. Houve outras vezes que eu cedi. No fim, foi ótimo. Ela estava muito comprometida e era muito apaixonada por tudo.

UOL – E quando ela ganhou?
Condon – Muitas vezes… Mas prefiro me lembrar das vezes em que eu ganhei (risos). Por exemplo, quando ela descobre que está grávida, quis fazer tudo de uma vez – o planejado era fazer tudo picotado, com cenas que depois seriam montadas. E ela estava certa. Ela é uma grande atriz, mas vai dirigir filmes. Tem a percepção do que acontece num set de filmagem e boas ideias que vão além de como interpretar a cena.

* A jornalista viajou a convite da Paris Filmes.

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