Estado já expulsou mais de 150 policiais milicianos no Rio, diz Beltrame

Por R7,

Secretário de Segurança considera combate às milícias mais difícil do que ao tráfico

Mais de 150 policiais militares e civis envolvidos com milícias foram expulsos de suas corporações desde 2007 no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pelo secretário de Segurança Pública do Estado, José Mariano Beltrame, no programa Roda Viva, da TV Cultura, na noite de segunda-feira (28). O comentarista da TV Record Percival de Souza participou da entrevista.

- Já expulsamos 142 policiais militares e cerca de 14 ou 15 policiais civis envolvidos com milícias. Já fizemos muita coisa, mas temos muito ainda a fazer.

Questionado pelo deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) sobre o combate aos milicianos, Beltrame explicou que lutar contra milícias é mais complicado do que contra o tráfico de drogas.

De acordo com o secretário, os criminosos que atuam na venda de entorpecentes produzem provas materiais, seja pela droga ou pela posse de armas de fogo. Os milicianos, por sua vez, oferecem serviços gerais, como gás e televisão por assinatura.

- O tráfico tem materialidade, é mais fácil de provar. A milícia não. É preciso construir provas, pois eles vendem serviços. Temos de comprovar as coisas, oferecer isso ao Ministério Público e defender para que os culpados sejam punidos. O processo é muito mais complicado e pode levar anos.

Das 19 comunidades onde o Estado instalou sedes da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), apenas uma era dominada por milícia: a favela do Batan, na zona oeste do Rio de Janeiro.

- Nós não escolhemos se vamos tomar uma área baseado na questão da milícia ou do tráfico, mas sim porque achamos importante para a nossa estratégia de segurança pública.

Além de contar com participação de policiais, as milícias são apoiadas em muitas ocasiões por políticos. Segundo Beltrame, porém, essa questão não significa que haja sobre o Estado qualquer pressão para que o combate aos milicianos seja menos intenso. O secretário frisou ainda que já sofreu ameaças de morte.

- Eu não sofro pressão por isso, mas já me ameaçaram de morte. Mas independentemente de qualquer coisa, o nosso dever é investigar e punir se for preciso.

Prisão do traficante Nem

José Mariano Beltrame esclareceu uma polêmica que envolveu a prisão do traficante Nem, apontado como ex-chefe da Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro. O criminoso foi detido pela polícia na madrugada do dia 10 de novembro, às vésperas da ocupação da comunidade para o início do processo de pacificação.

Após o carro no qual o traficante estava escondido ser abordado por policiais militares do Batalhão de Choque, o advogado de Nem contatou policiais civis que chegaram ao local, na Lagoa Rodrigo de Freitas, também zona sul, e tentaram, mesmo antes da revista, conduzir o veículo à Delegacia da Gávea (15ª DP). A confusão foi resolvida com a chegada da Polícia Federal, que abriu o porta-malas, encontrando o criminoso e grande quantidade de dinheiro.

- A Polícia Civil tinha a informação de que ele [Nem] se entregaria e de que estava na mala do carro. A PM não tinha essa informação. Por isso houve a confusão. Pode ter acontecido aquela história de que os policiais civis queriam ser os autores da prisão e quando os PMs souberam que o Nem estava no carro, quiseram fazer a prisão.

Política

Desde 2007 no comando da Secretaria de Segurança do Rio, Beltrame já se sente mais à vontade no convívio com políticos, mas não pensa em passar para o outro lado e concorrer nas eleições a um cargo público. O secretário, aliás, não sabe sequer se ficará no cargo até o fim do mandato do governador Sérgio Cabral, em 2014.

- Não penso nisso (política). Na verdade, eu não sei como vai ser o futuro. Não sei nem se fico até o final do mandato do Sérgio Cabral. É uma mola, a gente não sabe o que pode acontecer. Estou focado em trabalhar e resolver as questões emergenciais.

Descriminalização das drogas

Durante a entrevista, Beltrame comentou também sobre a descriminalização das drogas. Ele não afirmou posição concreta, mas deixou claro que é a favor de uma discussão profunda sobre o tema.

- Não dá para ter uma posição assim, dizer sim ou não. É preciso avaliar. Por exemplo, se o Estado quer descriminalizar, então tem de oferecer recursos para o tratamento de dependentes e outros benefícios. Se vamos continuar criminalizando, temos de preparar mais a polícia.

O secretário ainda afirmou que considera o crack como a droga mais difícil de ser combatida.

- É muito barato e, além de se popularizar nas regiões ricas, também se popularizou nas áreas mais pobres, onde acontece o tráfico. Por dia, levamos cem dependentes para abrigos, mas eles saem e voltam para as ruas.

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