Empresas de tecnologia japonesas buscam novos talentos

Quando se trata de atrair os melhores jovens talentos internacionais, especialmente no mundo da alta tecnologia, os empregadores japoneses conhecem seus desafios.

“A atração de trabalhar para uma companhia japonesa está diminuindo”, disse Ryuichi Yoshinaga, presidente da Pasona Tech, uma agência de empregos que realiza feiras do setor nas cidades de Pequim, Xangai e Dalian, na China, para recrutadores japoneses.

“A nova realidade –em que a economia chinesa é maior do que a do Japão– mudou as perspectivas”, disse.

“Antes as empresas japonesas estavam perto das ocidentais em popularidade”, disse. “Mas hoje muitos jovens formandos chineses acreditam que podem ter uma boa perspectiva profissional se ficarem na China”, acrescentou.

A política também interferiu. Enquanto cresciam as tensões sobre a disputa de algumas ilhas no mar do Leste da China, os empregadores japoneses tiveram de reduzir as atividades de recrutamento, especialmente em Pequim.

Alguns recrutadores japoneses dizem que estão atuando mais nos países do Sudeste Asiático, como Filipinas, Tailândia e Vietnã.

Os estrangeiros que procuram emprego também enfrentam obstáculos no Japão.

Talvez se espere que eles dominem a língua e o modo de vida profissional do país. Os empregadores tradicionais podem não dar muita responsabilidade aos novos recrutas, e jovens contratados muitas vezes não recebem cargos de acordo com suas especializações.

Mas garantir um talento de alto calibre do exterior é crucial para as empresas japonesas, especialmente porque seu mercado interno está encolhendo.

As empresas jovens hoje usam mais inglês no local de trabalho, dando aos jovens trabalhadores mais responsabilidades e adquirindo talentos através de aquisições e fusões com companhias estrangeiras.

A Rakuten, que opera o maior shopping center na internet do Japão, vem expandindo seu alcance geográfico no exterior, comprando empresas de comércio on-line como a Buy.com, dos EUA, a Tradoria, da Alemanha, e a PriceMinister, da França. Ela também decidiu adotar o inglês como língua oficial.

“Se você não tiver uma política ampla a respeito da língua, os trabalhadores não japoneses podem se sentir excluídos”, disse Masayoshi Higuchi, vice-diretor do departamento de recursos humanos globais na Rakuten.

Neste ano, 70% dos novos contratados no departamento de engenharia não eram japoneses. Em 2010, cerca de 4% dos membros do “staff” na matriz da empresa eram estrangeiros.
O número dobrou em 2012.

Avinash Varma, 23, formado na Universidade de Mumbai, na Índia, entrou para a Rakuten em 2011.

Ele sentiu que a empresa seria um bom lugar para desenvolver sua carreira de engenheiro de software porque “poderia obter conhecimento no campo específico de compras na internet”, segundo ele. Na Índia, o campo de engenharia de software está concentrado na terceirização, disse.

Apesar de não ter conhecimento anterior da língua japonesa, Varma disse que não tem queixas sobre o trabalho na Rakuten, porque a maioria dos funcionários de seu departamento veio de outros países.

A DeNA, fornecedora de jogos de redes sociais para celulares, não tem a hierarquia rígida de uma companhia japonesa tradicional.

“É uma organização em que não é o peso do seu cargo que conta, mas o peso do que você diz”, explicou Kazuaki Mihara, diretor de recursos humanos da DeNA.

Em abril passado, cem novos empregados, 20 dos quais não eram japoneses, entraram para a empresa assim que saíram da universidade.

Justin Sharps, 24, recém-formado no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, foi um deles. “Uma das coisas que eu gostei foi que eles davam aos novos engenheiros um empurrão desde o início”, disse.

“Eu estava escrevendo código de produção um mês depois de entrar na empresa, o que foi uma grande oportunidade.”

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