Em mina que produz elemento base para celular, aparelhos não funcionam

Brasil é responsável por 14% da produção mundial de tântalo.
Material faz com que baterias dos celulares durem mais.

Quanto dura a bateria de um celular? Graças a um metal extraído no Brasil, um aparelho móvel pode ser usado sem recarga por até uma semana. O tântalo é um elemento essencial para a indústria eletrônica. E o Brasil é responsável por 14% da sua produção mundial, além de ser dono de 61% das reservas do minério em todo o planeta.

No entanto, em meio à fabricação de um material tão importante para fazer o telefone funcionar, o sinal de celular ainda não chegou aos 1,2 mil trabalhadores da mina de Pitinga (AM). A antena mais próxima está em Presidente Figueiredo, a 3 horas de carro.

A 300 km de Manaus, ao lado de uma reserva indígena da etnia waimiri-atroari, a Mineração Taboca extrai das rochas da Floresta Amazônica o material que vai chegar mais tarde aos computadores, filmadoras, óculos e air bags de carros.

Por ser muito resistente a altas temperaturas, o tântalo também é usado em gasodutos e tem a indústria espacial como seu segundo cliente. O telefone móvel é o principal destino do tântalo, responsável pelo armazenamento de energia das baterias.

A falta de sinal em Pitinga não é motivo para Daydson Mendes Coelho, de 33 anos, deixar de comprar um celular: ele tem logo quatro, um para cada operadora. Há seis anos trabalhando na mina, Daydson já deveria estar acostumado com a vida sem celular. “Quando vejo as promoções, eu não resisto”, explica. Mas para que tantos aparelhos se não tem sinal em Pitinga? “Eu uso com a família e com os amigos toda vez que vou para Manaus”.

A ausência de sinal já foi motivo para brincadeira. “Uma vez, meu chefe colocou o aparelho para despertar e, quando o celular tocou, ele fingiu que atendia uma ligação e passou para a mulher dele, que respondeu sem se dar conta que não era possível receber ligações em Pitinga”, conta Daydson.

Robert Mendonça, de 22 anos, deu outra finalidade ao celular: escutar música. “Tenho mais de 300, entre sertanejo e tecnobrega”, conta ele, que acessava ao Orkut enquanto ouvia as músicas do celular na lanhouse da Associação de Pais e Amigos de Pitinga, que também oferece cursos de informática para os sócios.

A internet chegou antes do celular para a população de 3 mil habitantes da Vila de Pitinga, próxima à mina. Muitos moradores pagam uma mensalidade de cerca de R$ 130 para acessar à web via rádio por uma antena instalada no telhado.

“Como a velocidade não é muito boa em algumas casas, muitos moradores ainda frequentam a lanhouse. Temos também impressora e dois computadores exclusivos para alunos que precisam fazer pesquisa”, explica Aldeluisa Freire Barbosa, secretária da associação.

Os moradores da vila também contam com telefone fixo. Porém, a preferência é pelo celular. “Fiquei sem telefone fixo por 4 anos e não senti falta. Já minha filha de 11 anos já ganhou um celular”, conta Anderson Pereira dos Santos, de 39 anos, que agora usa o aparelho como despertador.

Criada na década de 1980, Pitinga é a única produtora da liga de tântalo-nióbio, que é comercializada para a Companhia Industrial Fluminense (CFI), de Minas Gerais, único cliente brasileiro da mina. “Nós vendemos muito para o exterior, como Europa e Ásia, principalmente China”, explica Klayton Botelho, gerente de produção da mina.

Entre os smartphones mais usados pela população de Presidente Figueiredo, município fundado há 30 anos devido ao interesse pela mineração, estão os importados “Made in China”.

O processo de produção do tântalo não é simples. Desde sua extração da rocha até quando chega aos celulares, diversos passos precisam ser seguidos. Depois de sair da mina, o tântalo é então separado do nióbio e comercializado para a indústria eletrônica.

O material é usado desde 1975 pelo mercado de eletrônicos, mas com o aumento nas vendas de computadores e celulares, a previsão é que a produção de tântalo na mina de Pitinga dobre nos próximos dois anos, afirma Botelho.

Desde março de 2009, quando a mina foi vendida para o grupo peruano, as explorações na jazida pararam. “De lá para cá, começamos a processar os resíduos dos últimos 8 anos até que as plantas industrias sejam adequadas”, diz Botelho. O Brasil é dono de 61% das reservas de tântalo no mundo, ficando à frente da Austrália (38%), segundo relatório publicado pelo Instituto Geológico dos Estados Unidos em 2010.

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Em mina que produz elemento base para celular, aparelhos não funcionam

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