Dilma se reúne com grandes economistas a uma semana do Copom

Faltando apenas uma semana para o Comitê de Política Monetária (Copom) se reunir e decidir a nova taxa básica de juros da economia (Selic), a presidente Dilma Rousseff resolveu ouvir alguns especialistas em encontro em Brasília. Dilma almoçou nesta segunda-feira, 8, com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e outros três grandes nomes da economia: Delfim Netto, Luiz Gonzaga Belluzzo e Yoshiaki Nakano. No encontro também estava presente o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin.

Com esse encontro, não tornado público pelo Planalto, a presidente retoma os contatos com economistas de fora do governo, prática muito utilizada por seu antecessor, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na agenda da presidente, o encontro seria apenas com o ministro Guido Mantega.

Embora sem detalhes sobre a conversa, a avaliação da conjuntura econômica do país foi avalizada a partir da percepção de cada um dos presentes. Neste momento, o governo vem recebendo críticas sobre a condução da economia, principalmente as ações pontuais da presidente Dilma em relação às questões sobre como compatibilizar o combate à inflação sem debilitar ainda mais a atividade econômica.

A política de governo tem priorizado medidas macroprudenciais e, mais intensamente, as desonerações nas mais diversas cadeias produtivas, inclusive com ênfase na redução do custo da folha de pagamento das empresas. O combate à inflação, como já declarou, “é um valor em si mesmo”, mas existem dúvidas quanto a autonomia do Banco Central para elevar os juros e trazer a inflação para o centro da meta, que é de 4,5%. Essas dúvidas são reforçadas pela percepção de que o governo não vai deixar a inflação sair fora do controle. Por outro lado, não pretende adotar uma política monetária rígida, capaz de trazer o IPCA, o índice oficial de inflação, para o centro da meta, que é de 4,5%. Pelo contrário, todos os sinais são de que a inflação ficará acima do centro da meta no governo Dilma.

Ela não quer comprometer as conquistas da nova classe média que, exatamente pelo combate à alta de preços e oferta de crédito, alçou uma posição melhor na pirâmide social. Foi essa política que garantiu aumento do consumo, emprego e renda, apesar da forte crise financeira que ainda abala a Europa. O Brasil foi o primeiro país a sair da zona de recessão que abalou e ainda abala o mundo. Mas atualmente está convivendo com os impactos considerados negativos da política anticíclica adotada. Hoje, aumento da renda superior a produtividade, elevação dos preços dos serviços, problemas circunstanciais, como clima, afetando o preço de produtos hortigranjeiros, pressionam ainda mais a inflação, além dos gastos do governo e a deterioração na produção industrial. A presidente Dilma adotou várias medidas pontuais para estimular a economia – entre elas a redução dos impostos e o crédito farto e barato. Mesmo assim, não obteve resposta do setor privado. As desonerações foram utilizadas para venda de estoques e não produziu uma reação da produção industrial.

Essa reunião de hoje mostra que a presidente “saiu da sua zona de conforto” na condução da sua política econômica para ouvir esses economistas – que já ocuparam cargos em governos passados – e, de alguma forma, podem contribuir para uma avaliação menos subjetiva. Embora o esforço do Planalto seja combater a inflação e preservar os empregos, dar um tranco na economia (com aumento da taxa de juros) pode não ser a melhor opção para controlar a inflação. Afinal, a atividade econômica pode patinar por um período ainda mais longo e não confirmar os esperados 3% de crescimento ainda este ano.

A presença do secretário do Tesouro possibilitou uma revisão de métodos, como os adotados no final do ano passado, com repercussão internacional negativa, para fechar as contas do setor público e gerar o superávit primário. No exterior, a interpretação foi a de que o Brasil estaria mais tolerante com o aumento dos gastos e da inflação para fazer valer o programa de melhorias para a classe média e reduzir drasticamente a população que vive na chamada zona de pobreza. É um momento de transição delicado porque o governo já trilha o caminho da campanha para reeleição de Dilma e qualquer desajuste na economia pode repercutir na campanha eleitoral, apesar da elevadíssima aprovação e suposto favoritismo da presidente Dilma Rousseff.

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