Dilma Rousseff convoca reunião de emergência para esta sexta-feira

Depois de acompanhar boa parte dos protestos do dia no Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff (PT) decidiu convocar uma reunião de emergência para as 9h30 desta sexta-feira com seus principais ministros para discutir os efeitos das manifestações por todo o Brasil.

Na reunião, Dilma irá avaliar relatos da extensão dos atos nas cidades brasileiras. A partir daí será decidida uma conduta de governo, como por exemplo medidas ao alcance do Ministério da Justiça ou até um pronunciamento oficial da presidente.

Até aqui, Dilma só fez uma referência pública aos protestos, na terça-feira, durante o lançamento da proposta do Código de Mineração. Nela, a presidente apoiava as manifestações de cunho pacífico.

Na hora em que Dilma deixava o Planalto, o Itamaraty era atacado pelos manifestantes. O palácio presidencial está protegido fortemente por policiais e militares.

BRASÍLIA

Brasília teve o protesto mais tenso e violento de sua história, quando a manifestação que reuniu 30 mil pessoas descambou para uma batalha campal na Esplanada dos Ministérios.

Houve ameaça de invasão do Palácio do Planalto e do Congresso Nacional, e depredação de órgãos como o Itamaraty e o Banco Central, além de três ministérios e a Catedral de Brasília.

A presidente Dilma Rousseff, alvo dos manifestantes pela primeira vez, não se pronunciou, assim como o governador Agnelo Queiroz (PT) -que estava em um evento na Embaixada da França.

O saldo de vítimas, até a conclusão desta edição, era de 55 feridos, nenhum com gravidade, segundo o Samu (serviço de emergências).
Houve três detidos, segundo a Polícia Militar, que calculou a multidão.

O protesto começou por volta das 16h, e havia uma combinação prévia com a polícia de que os manifestantes não iriam ultrapassar o espelho d´água do Congresso -cujo teto havia sido ocupado no protesto de segunda-feira.

PM, cavalaria e o Batalhão de Operações, com cães, armaram um forte esquema de segurança para conter os manifestantes. Eles formaram um cordão de isolamento para impedir a passagem da multidão às proximidades do Palácio do Planalto e do Congresso.

O ato começou pacífico. Um pequeno grupo chegou a ser recebido para falar com o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), mas o encontro fracassou pois não ficou claro quem eles representavam.

Isso até às 18h30, quando cerca de mil manifestantes tentaram marchar para o Palácio do Planalto, que fica atrás do Parlamento, na praça dos Três Poderes.

Policiais e militares, que já reforçavam a segurança do palácio em que Dilma trabalha, contiveram os manifestantes com sprays de pimenta, bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral.

Em seguida, outro grupo forçou a barreira no Congresso. Os manifestantes atiraram artefatos explosivos contra os PMs, que responderam com ao menos dez bombas de gás.

A partir daí, a situação saiu de controle. Um grande grupo marchou à direita, visando o Palácio do Itamaraty, que estava apenas com o contingente normal de segurança feita por fuzileiros navais.

Um dos principais monumentos de Brasília, o ministério teve várias paredes envidraçadas quebradas e um princípio de incêndio na sua entrada, controlado por PMs.

Alguns manifestantes entraram rapidamente no prédio, mas foram expulsos. Antes picharam “corrupção” numa parede interna.

“Foi um ato de vandalismo que não pode se repetir. Eu conclamaria a todos os manifestantes que observassem a calma e que respeitassem o patrimônio da nação”, disse o chanceler Antonio Patriota à rádio CBN. “Fiquei muito indignado com o que ocorreu.”

BANCO CENTRAL

Um grupo menor ainda caminhou em direção ao Banco Central, distante 2 km dali. Uma vidraça do prédio foi quebrada, mas a polícia conteve a tentativa de invasão.

No final da noite, o cenário na Esplanada era de destruição. Fogueiras se espalharam ao longo da avenida.

Três outros ministérios foram pichados. A Catedral de Brasília teve vitrais quebrados e a inscrição “666, o número da besta” pichada em inglês.

No final da tarde, quando a manifestação ganhava corpo, a Câmara dos Deputados divulgou uma nota de apoio ao movimento. “Esse movimento da cidadania é legítimo e gera esperanças de um revigoramento republicano”.

A nota foi costurada pelo presidente interino da Câmara, André Vargas (PT-PR), e líderes partidários. Mais à noite, o presidente Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), de volta da Rússia, passou pelo local e chamou de “minorias” os violentos.

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