DEM abre nesta terça-feira processo disciplinar para expulsar Demóstenes Senador terá uma semana para se defender

O Democratas vai abrir nesta terça-feira (3) um processo disciplinar para expulsar o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) do partido por quebra de decoro e desvio de conduta ética.

O partido decidiu depois de reunião na noite de segunda-feira (2) na casa do presidente do DEM, senador Agripino Maia (RN). Estavam presentes o deputado ACM Neto (DEM-BA), o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) e o vice-governador de Goiás, José Eliton.

Durante a tarde, o senador Demóstenes se encontrou com Caiado e José Eliton, mas evitou se reunir com toda a cúpula do partido. Ele passou a maior parte do dia reunido com os advogados.

Segundo Agripino, a decisão do partido não poderia ser outra com a falta de explicações do senador goiano.

— O partido se reuniu e o incômodo partidário é um fato que está posto, a Casa, o Senado como um todo está em xeque, mas quem mais está em xeque é a formulação programática do partido, a conduta partidária do Democratas, que não convive com a perda do padrão ético. Por essa razão é que nós estamos oficiando ao senador [...] por desvio reiterado de conduta partidária estamos abrindo um processo de expulsão do senador.

De acordo com Agripino, o prazo dado ao senador para manifestar e se explicar ao partido vale até a manhã desta terça. No entanto, Demóstenes disse às lideranças do DEM que não iria se encontrar com eles, pois estava reunido com os advogados e ainda não tinha uma resposta para apresentar ao partido.

Com isso, o partido abre o processo de expulsão nesta terça, quando o senador goiano será comunicado e, a partir de então, ele terá uma semana para apresentar uma defesa.

— Acabou o prazo e não foi apresentada defesa nenhuma. Como não foi apresentada defesa nenhuma nós estamos tomando uma iniciativa. Eles estiveram com ele e não houve nenhuma definição no que diz respeito a prazo, anúncio de um pronunciamento no Senado, de defesa contundente.

Agripino disse ainda que o processo é uma “formalidade”. Segundo ele, “dificilmente o partido não tomará essa posição”, se referindo à expulsão de Demóstenes.

O líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA), disse que o partido está decepcionado com a ausência do senador e falta de explicações para as denúncias.

— Foi dado o prazo ao senador Demóstenes, se nesse prazo ele se manteve em silêncio, a responsabilidade foi dele. O clima no partido é muito ruim. O partido está perplexo com a quantidade de denúncias que apareceram envolvendo o senador Demóstenes Torres.

De acordo com o líder, o DEM não vai “passar a mão na cabeça” de quem erra, e vai agir e punir o senador caso ele não consiga se defender.

— Eu acho que já passou da hora do senador se manifestar. Esse é um desejo do Democratas, do partido dele, e também, eu entendo, que do Congresso Nacional e da sociedade brasileira.

Expulsão

Caso o senador seja expulso do partido, ele continua exercendo o mandato como um senador sem partido. Ele só perde o mandato caso o Conselho de Ética considere que houve quebra de decoro e em plenário os senadores votem pela cassação de Demóstenes.

Na tarde de ontem, outros senadores pediram pressa na avaliação do Conselho de Ética sobre o caso de Demóstenes e as denúncias que envolven seu nome e o do bicheiro Carlos Cachoeira.
Os senadores Alvaro Dias (PSDB-PR) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) cobraram do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que antecipe a reunião do Conselho de Ética para avaliar a representação do PSOL que pede a abertura de processo por quebra de decoro contra o ex-líder do DEM.

O conselho marcou uma reunião para a próxima terça-feira, dia 10, com o objetivo de eleger seu novo presidente. O cargo está vago desde setembro do ano passado, mês em que o senador João Alberto (PMDB-MA) deixou a Casa para ocupar um cargo no governo do Maranhão.

O presidente interino do órgão, Jayme Campos (MT), que é do mesmo partido de Demóstenes, já se declarou impedido para conduzir o processo que envolve seu colega do DEM. Pelo critério da proporcionalidade das bancadas no Senado, a indicação cabe ao PMDB.

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