Comandante da PM diz que ação que acabou com nove mortos foi ‘legítima’

O comandante da Polícia Militar de São Paulo, coronel Roberval Ferreira França, considerou legítima a ação de policiais militares da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) em que foram mortos nove supostos criminosos em Várzea Paulista, na Grande São Paulo. A operação aconteceu na tarde desta terça-feira (11).

“Todos os indícios atestam uma ação legítima por parte dos policiais. Temos um arsenal de grosso calibre apreendido no local, o que indica a disposição do confronto”, declarou, em entrevista coletiva concedida no quartel do comando da Polícia Militar na Luz, no Centro de São Paulo. Participaram da ação 40 homens da Rota, em 10 veículos, e eles serão alvos de inquéritos na Polícia Judiciária e na própria PM.

França destacou que, em três pontos distintos na região onde teriam ocorrido os confrontos, também foram presos oito suspeitos.

A ocorrência teve início após uma denúncia anônima por meio de um telefonema ao setor de inteligência da Rota. A informação era a de que seria realizado um “tribunal do crime” em uma chácara localizada na Rua Cambará, em Várzea Paulista. A partir daí, ao menos 10 equipes da Rota foram acionadas e iniciaram as buscas para tentar identificar o local.

“Um homem seria julgado por este tribunal do crime pelo estupro de uma menina de 12 anos. Quem pediu este tribunal foi o próprio irmão da menina. A mãe dela, a menina e o irmão assistiram a todo o ‘julgamento’ até a decisão de que o acusado deveria ser morto. A partir daí, a família foi retirada da sala onde ocorreu o ‘julgamento’”, relatou o comandante da PM.

Segundo ele, ao todo 16 criminosos, além do “julgado”, participaram do tribunal. Os policiais chegaram na chácara por volta das 16h30. “Neste momento, sete deles deixavam o local em dois carros. Ao avistarem a polícia, fugiram em direções opostas. No primeiro confronto, a cerca de 1 km da chácara, dois foram mortos e um foi preso. No segundo confronto, após a perseguição ao segundo carro, foram dois mortos e mais dois presos. E, na chácara, onde ocorreu o terceiro confronto, ficaram nove criminosos, sendo que quatro foram mortos e outros cinco presos”, disse.

O homem que havia sido ‘julgado’ no tribunal do crime foi encontrado morto na chácara, segundo França. “Por isso, não é possível dizer se ele já havia sido morto antes da chegada dos policiais ou se morreu durante o confronto”, ressaltou.

Identificação
Entre presos e mortos, a polícia já identificou ao menos seis dos envolvidos na ocorrência. “Todos os identificados têm uma ampla ficha, com várias passagens e condenações por diferentes crimes. Estamos trabalhando para fazer a investigação dos demais”, destacou o comandante da PM.

França negou que os envolvidos eram integrantes de uma facção criminosa que age a partir dos presídios paulistas. “Todos eles seriam integrantes de uma quadrilha organizada e a chácara teria sido alugada de um candidato a vereador de Várzea Paulista por um breve período como ponto de apoio para reuniões e armazenamento de armas e drogas”, disse.

Na chácara, foram apreendidos uma metralhadora, duas espingardas calibre 12, sete pistolas, quatro revólveres, uma granada, explosivos em quantidade não contabilizada, cinco veículos e ao menos 20 kg de maconha.

A família que presenciou o “tribunal do crime” está sob proteção da polícia e, se solicitar, deverá entrar no programa de proteção à testemunha.

Apesar das nove mortes nos confrontos desta terça-feira, o comandante da PM disse que 2012 é o ano “de menor taxa de letalidade (por parte da polícia) nos últimos 10 anos” em relação a confrontos envolvendo policiais militares no estado. De acordo com ele, de cada 100 mil intervenções com participação de policiais militares, apenas 1,16 resultaram em confronto. “Ocorre um confronto a cada três dias. Para cada morte, 451 pessoas são presas. E 83% dos criminosos saem vivos de confrontos com a polícia”, detalhou.

Em contrapartida, o número de policiais militares mortos em 2012 subiu para 67, contra 48 assassinatos de integrantes da corporação em todo o ano passado. Segundo o comandante da PM, do total de 67 mortes apenas três policiais estavam em serviço.

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