Ciumentos da internet encaram mensagens como indício de traição; veja se você é assim

Por ANA IKEDA || Do UOL Tecnologia

“Oi, gatinho, saudades também!”. Qual seria sua reação ao ler uma mensagem assim no perfil online do seu namorado? Há quem simplesmente ignore o recado e prossiga feliz na relação. Mas para os “ciumentos de internet”, o pequenino texto já é suficiente para desencadear uma briga (e feia). O ciúme, antes restrito a situações reais como uma marca de batom no colarinho da camisa, parece potencializado no mundo digital e não é exclusivo das mulheres. Mas, como na vida real, ele pode ser indício de que algo vai mal no relacionamento e talvez requeira tratamento psicológico.

O mundo virtual é bem real. Ao ler uma mensagem, a pessoa se sente realmente traída”, explica Katty Zúñiga, terapeuta do Núcleo de Pesquisa da Psicologia em Informática da PUC-SP.

Para a psicóloga, a tecnologia é uma ferramenta poderosa de comunicação e, ao mesmo tempo, as pessoas sentem cada vez mais liberdade de expressar sentimentos por meio das redes sociais. “A informação está muito exposta. Muitas vezes, amigos trocam mensagens carinhosas. Mas como o outro vai entender aquilo?” O recado no mural online, por mais simples e inocente, pode aumentar o sentimento de insegurança, prossegue Katty, e assim surge o ciúme.

A frase que abre a reportagem é a mesma que Maria Ribeiro*, 28, atriz, encontrou no Orkut de seu noivo. “Quando entrei no mural da garota, ele tinha deixado um scrap para ela dizendo algo como ‘linda, como você está?’. Eu virei o bicho”, relembra. A mensagem magoou mais, detalha Maria, porque ele não costumava deixar recados com “apelidos carinhosos” no perfil dela. “Por que ela é linda e eu não?”, indaga. No final, ao confrontar o noivo, ela viu que a ameaça não era assim, tão próxima. “Ele disse que não tinha nada a ver. Era uma amiga dele que mora há um tempo na Austrália.”

Mas a briga pior viria depois. “Ele parou de se manifestar em público, inclusive para mim, nas redes sociais. Ele diz que não precisa ficar falando pela internet se ele está comigo”, conta. Maria diz sentir falta do “carinho online” e que, para mostrar que não havia motivos para desconfiança, o noivo deu a senha do próprio e-mail para ela. “Mas nunca entrei. Acho que as pessoas têm direito a sua individualidade.”

É justamente disso que o ciumento se esquece, alerta a terapeuta. “As pessoas são independentes. Ninguém é único na vida do outro. Todos têm uma vida privada, independente do companheiro ou companheira”, diz Katty. “O casal tem de ter uma conversa aberta, dizer o que gosta ou que não gosta no comportamento um do outro. É como um contrato. Se a pessoa é fiel, ela será fiel, independente do meio”, resume. “Não é uma frase que destrói um relacionamento. Mas o ciúme pode indicar que ele não vai bem.”

Mania de mulher?

Apesar de ser mais comum encontrarmos casos de “ciumentas de internet”, o comportamento não é exclusivo das mulheres, explica Katty. “Os homens também sentem ciúmes e podem agir do mesmo jeito, pois estamos falando do ser humano. As mulheres acabam sendo mais curiosas e, portanto, mais propensas a invadir a privacidade do outro: ela não aguenta e ‘dá uma olhada’, pois é uma característica feminina.”

É essa curiosidade que não falta à jornalista Alice Rocha*, 27. “Desde que eu tenho redes sociais eu monitoro tudo. Na época em que eu namorava e tinha Orkut, sempre antes de vir trabalhar acessava para ler os scraps”, conta. Foi assim que ela descobriu a traição do companheiro na época. “Tinha um post de uma menina que deixou um link de um blog dela. Acessei o blog e ela tinha contado tudo o que tinha acontecido entre eles, detalhes sórdidos, fotos e tudo o mais”, lembra. Mesmo dois anos depois do ocorrido, ela confessa que ainda olha o Twitter, Facebook e o blog da amante do ex.

Segundo Alice, o ciúme eletrônico é maior do que o pessoalmente e tem sequelas físicas. “Perdi 10 kg em um mês e meio por conta da tristeza pela história do blog. É como um machucado que eu fico cutucando”, admite.

Já no começo deste ano, Alice conheceu um rapaz num show e começaram a sair. “Todos os dias eu olhava o perfil dele e das pessoas que comentavam. Se eu conheço um cara, procuro pelo nome dele internet e investigo tudo. E sempre acabo achando coisas”, diz. Pela segunda vez, ela descobriu, mas pelo Google, que não era só com ela que o novo pretendente saía. “Agora ele namora e é pai. Descobri que ele já estava com essa atual enquanto estava comigo.”

Em casos assim, quando de fato a traição é descoberta pelas redes sociais, a terapeuta Katty Zúñiga recomenda que o ciumento procure ajuda psicológica. “Fica sempre uma insegurança, e com o tempo a confiança tem de ser reconquistada”, comenta.

Esse “monitoramento online” do companheiro, diz a especialista, acaba deixando a pessoa “predisposta a achar pelo em ovo”, ou seja, enxergar um recado inocente como traição. “Nesse caso, a terapia, seja  do casal ou individual, é indicada.”

Perguntada se seria melhor conhecer alguém que não estivesse nas redes sociais, Alice diz que sentiria raiva, num primeiro momento, mas admite que isso evitaria desconfiança. “Mas claro que eu não deixaria de viajar na batata de achar que ele pode estar em algum lugar, com pseudônimo.”

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É essa curiosidade que não falta à jornalista Alice Rocha*, 27. “Desde que eu tenho redes sociais eu monitoro tudo. Na época em que eu namorava e tinha Orkut, sempre antes de vir trabalhar acessava para ler os scraps”, conta. Foi assim que ela descobriu a traição do companheiro na época. “Tinha um post de uma menina que deixou um link de um blog dela. Acessei o blog e ela tinha contado tudo o que tinha acontecido entre eles, detalhes sórdidos, fotos e tudo o mais”, lembra. Mesmo dois anos depois do ocorrido, ela confessa que ainda olha o Twitter, Facebook e o blog da amante do ex.

Segundo Alice, o ciúme eletrônico é maior do que o pessoalmente e tem sequelas físicas. “Perdi 10 kg em um mês e meio por conta da tristeza pela história do blog. É como um machucado que eu fico cutucando”, admite.

Já no começo deste ano, Alice conheceu um rapaz num show e começaram a sair. “Todos os dias eu olhava o perfil dele e das pessoas que comentavam. Se eu conheço um cara, procuro pelo nome dele internet e investigo tudo. E sempre acabo achando coisas”, diz. Pela segunda vez, ela descobriu, mas pelo Google, que não era só com ela que o novo pretendente saía. “Agora ele namora e é pai. Descobri que ele já estava com essa atual enquanto estava comigo.”

Em casos assim, quando de fato a traição é descoberta pelas redes sociais, a terapeuta Katty Zúñiga recomenda que o ciumento procure ajuda psicológica. “Fica sempre uma insegurança, e com o tempo a confiança tem de ser reconquistada”, comenta.

Esse “monitoramento online” do companheiro, diz a especialista, acaba deixando a pessoa “predisposta a achar pelo em ovo”, ou seja, enxergar um recado inocente como traição. “Nesse caso, a terapia, seja  do casal ou individual, é indicada.”

Perguntada se seria melhor conhecer alguém que não estivesse nas redes sociais, Alice diz que sentiria raiva, num primeiro momento, mas admite que isso evitaria desconfiança. “Mas claro que eu não deixaria de viajar na batata de achar que ele pode estar em algum lugar, com pseudônimo.”

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