Cielo e França querem dosar energia para vencer

A distância de uma borda à outra da piscina, 50 metros, cruzados em poucos segundos, de forma rápida, eficiente e sem muito desgaste. É essa a fórmula que os dois principais nadadores brasileiros irão usar para sair dos Jogos de Londres com medalhas nos 100 m.

Cesar Cielo e Felipe França são os mais velozes do mundo nas provas de 50 m de seus estilos (crawl e peito). Mas têm oscilado quando disputam os 100 m. Os 50 m peito, prova em que França foi campeão mundial no ano passado, nem estão no programa olímpico.

Cielo foi bronze nos 100 m livre nos Jogos de Pequim, em 2008, conquistou o título no Mundial de Roma-2009 e é o detentor do recorde da prova. Porém ficou fora do pódio em Xangai-2011.

A preparação do nadador para essa distância foi focada em fazê-lo “guardar” energia para os últimos 50 m. Cielo costumava passar pela primeira metade da prova com muita intensidade e não conseguia manter o ritmo.

“Nos 50 m, ele é o mais rápido do mundo. Ele trabalhou nos fundamentos, como a saída, para fazer a primeira piscina de forma mais eficiente e ter uma reserva para voltar”, diz o técnico Albertinho.

O treino foi cansativo e doloroso. Cielo teve que se acostumar a nadar de forma rápida mesmo cansado, o que acontece nos últimos 50 m. “Ele é um velocista puro, foi uma situação de desconforto. Ele reclama. Fica frustrado quando não dá tempo bom em treino. Mas começou a se sentir veloz, ver o resultado e ganhar mais confiança”, afirma Albertinho.

Cielo sabe que não é favorito na prova. O australiano James Magnussen tem o melhor tempo do ano: 47s10. Os 48s28 do brasileiro o colocam só em sétimo na temporada. A disputa entre os dois em Londres começa no dia 31. “Mas vou fazer uma prova de cada vez. Vou entrar nos 100 m como se fosse a última prova da minha vida. Não vou descartar a briga nos 100 m”, disse o nadador na quarta, em sua única entrevista no Crystal Palace, centro de treinamento do Brasil em Londres.

A mesma estratégia foi usada por Felipe França para conseguir sucesso também em uma prova olímpica. Quando nadava os 100 m peito, ele passava os primeiros 50 m muito forte, com um número maior de braçadas, e tentava voltar da mesma forma. Não aguentava.

“A gente viu que estava inviável. Analisando os rivais, vimos que eles distribuíam melhor a prova. Isso deu nova direção para o treino, para ele tentar ser mais econômico [nos primeiros 50 m], com a sensação de que está ‘fácil’, e ter energia para voltar”, diz o biomecânico Paulo Cesar Marinho, da seleção.

França começa a colocar o plano em prática no dia 28.

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