Ciclofaixa complica ainda mais o trânsito e irrita motoristas em SP

Trânsito aos domingos não é novidade para os paulistanos. Mas em alguns trechos onde estão as ciclofaixas, que já somam 108 quilômetros na cidade, os motoristas têm ficado ainda mais irritados.

“Já passei mais de uma hora engarrafado entre o Paraíso e a Liberdade e tive que fazer a volta pela Aclimação. Vi até ambulâncias com dificuldade para andar por ali”, conta o tradutor Antonio Leite, 58. Ele diz defender as ciclofaixas, mas “não em vias de trânsito intenso”.

Segundo dados da CET, a Paulista chegou a ter 1,8 km de filas no último dia 11, dois meses depois que a ciclofaixa foi aberta. Quatro domingos antes da inauguração, não foi registrado nenhum quilômetro de retenção na via.

Na região, o ponto mais complicado é na avenida Bernardino de Campos, quando as ciclofaixas da Paulista e da Vergueiro se encontram. Ontem, ciclistas e motoristas chegaram a trocar ofensas em frente à Unip, onde o trânsito era ainda mais complicado por causa da prova da Fuvest.

“Está lotando todo domingo. Claro, eles fecham ruas e tiram uma faixa nossa. Isso enche o saco”, reclamava o veterinário Fábio Resende, 32.

Na avenida Luiz Dumont Villares, na zona norte, a consultora Daniela Antonelli, 40, diz que o trânsito aos domingo parece de dia de semana.

“Se preciso passar por ali, prefiro pegar outro caminho. Quero chegar logo, aproveitar o domingo que passa rápido. É estressante. Já cheguei a dar a volta pela rodovia Fernão Dias”, diz ela.

ADAPTAÇÃO

O fotógrafo e adepto da ciclofaixa Daniel Assis, 31, reconhece que o trânsito piorou aos domingos, mas defende um espaço permanente para as bicicletas -e não só aos domingos e feriados.

“Na Paulista, fica trânsito mesmo. Mas se fosse um espaço permanente, o motorista iria se adaptar.”

Já para Willian Cruz, responsável pelo site Vá de Bike, dizer que a ciclofaixa piorou o trânsito é injusto.

Segundo ele, a lentidão é consequência de um excesso de carros nas ruas.

FISCALIZAÇÃO

A CET afirma que fiscaliza as vias com ciclofaixas. De acordo com a empresa, nos fins de semana e feriados a demanda é menor, por isso o efetivo de marronzinhos é de 1.200 em três turnos –metade dos dias úteis.

Os custos de implantação das ciclofaixas são bancados pela Bradesco Seguros.

A cada domingo, são usados cerca de 18 mil cones –a instalação exige 13 carros. Além disso, 360 monitores, 30 fiscais de apoio e 30 mecânicos ajudam os ciclistas.
Prefeitura e Bradesco não revelam quanto custa a operação. Mas em contrato publicado no “Diário Oficial” da cidade, assinado em março e com prazo de um ano, consta o valor de R$ 9,27 milhões.

A CET afirma que as ciclofaixas “incentivam o uso da bicicleta como forma de deslocamento” e que “a utilização delas por mais de 500 mil pessoas já demonstra uma convivência mais harmoniosa na relação bicicletas e demais veículos”.

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