Após confusão na Paulista, estudantes prometem novo protesto em SP

Das 15 pessoas presas após um protesto contra o aumento nas tarifas do transporte público, na noite de quinta-feira (6), 13 foram liberadas e duas permaneciam detidas no início da manhã desta sexta-feira (7), como informou o Bom Dia São Paulo. O Movimento Passe Livre, que organizou a manifestação, convocou para o fim da tarde desta sexta um novo ato, com concentração no Largo da Batata, em Pinheiros, na Zona Oeste.

Os protestos de quinta-feira deixaram um rastro de destruição e sujeira na Avenida Paulista. O vandalismo atingiu as estações Brigadeiro, Trianon e Vergueiro do Metrô, além do Shopping Paulista, bases móveis da PM, bares e bancas de jornais da região.

O Metrô ainda não calculou os prejuízos, mas informou que destinará a conta aos manifestantes.

O ato interditou, entre outras vias, o Corredor Norte-Sul e a Avenida Paulista. Para liberar as pistas, a PM usou bombas de efeito moral, balas de borracha e gás lacrimogênio.

Durante toda a madrugada, a movimentação foi intensa no 78º Distrito Policial, nos Jardins. Amigos, familiares e advogados se mobilizaram para liberar os detidos. Nove deles foram apenas ouvidos e liberados em seguida. Entre eles, estava o presidente do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Altino de Melo Prazeres.

Quatro detidos saíram após pagar fiança, em valores que variam de um salário mínimo até R$ 3 mil. A fiança mais alta foi cobrada de manifestantes que participaram da depredação do Metrô, segundo a polícia. Um quinto ainda não havia deixado a delegacia até esta manhã, porque não tem dinheiro para a fiança.

O caso mais grave é a de um detido em flagrante enquanto incendiava objetos durante a manifestação. O delito é inafiançável e, por isso, ele ficará à disposição da Justiça.

Altino foi detido em frente ao Shopping Paulista, um dos pontos onde houve tumultos. Na  noite desta quinta-feira, que ele e mais quatro ativistas da categoria participavam pacificamente da manifestação.

“A polícia perdeu o controle de si mesma. Fui perguntar para um policial se as pessoas poderiam sair do shopping e fui detido. Isso é um absurdo. Em nenhum momento houve, por nossa parte, do sindicato, alguma atitude que tenha depredado o sistema. Temos o interesse de defender o patrimônio público”, disse o presidente do sindicato.

O centro comercial em frente ao qual o sindicalista foi detido esteve entre os pontos mais prejudicados pelas depredações. Até mesmo um carro que estava exposto no local para uma promoção do Dia dos Namorados foi atingido.

O tenente-coronel da PM Ben-Hur Junqueira Neto disse que “a polícia já entrou em contato com os seguranças para pegar as imagens das câmeras de monitoramento para fazer a identificação, boletim de ocorrência e eventualmente imputar a responsabilidade  a quem depredou o patrimônio” do shopping.

O coronel da PM Reynaldo Rossi, comandante do Policiamento da região Central, diz que os primeiros distúrbios foram registrados com pichações na Rua São Bento. “Essas pessoas estavam a fim de fazer baderna”, disse.

Segundo Rossi, 323 policiais militares participaram da operação e, em seu momento de pico, a manifestação reuniu 2 mil manifestantes.

O protesto
O ato foi organizado por estudantes reunidos no Movimento Passe Livre (MPL), que critica o aumento das passagens de trem, ônibus e metrô na cidade de São Paulo para R$ 3,20. O MPL defende ainda qualidade e pede tarifa zero. Segundo o grupo, “todo aumento de tarifa é injusto e aumenta a exclusão social.”

Os organizadores afirmam que quase 20 mil pessoas confirmaram presença no evento via Facebook. Eles estimam que cerca de 5 mil tenham de fato comparecido, enquanto a PM afirma que 2 mil participaram. Ao G1, representantes do MPL disseram que não são responsáveis por atos de vandalismos cometidos durante o protesto: bancas de jornais, orelhões, estrutura externa da Estação Brigadeiro do Metrô e ambientes do Shopping Paulista foram alvos de depredações.

Sequência de tumultos
O ato contra as tarifas começou às 18h em frente ao Theatro Municipal. De lá, os manifestantes passaram em frente à Prefeitura de São Paulo e seguiram caminhada pelo Centro.

O primeiro tumulto envolvendo a PM ocorreu após manifestantes colocarem fogo em cones da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) na bifurcação entre as avenidas 23 de Maio e 9 de Julho, na região do Terminal Bandeira.

Policiais militares usaram balas de borracha, gás de pimenta e bombas de efeito moral para dispersar o grupo no Centro. Após o primeiro confronto, manifestantes voltaram a atear fogo em objetos e fizeram uma nova barricada também no acesso à Avenida Nove de Julho.

Por volta das 19h20, uma equipe do Corpo de Bombeiros apagou o fogo colocado nos objetos sobre a pista do Corredor Norte-Sul. Enquanto isso, parte do grupo de manifestantes seguia em caminhada pela Avenida de Julho em direção à Avenida Paulista.

Ao chegar à Avenida Paulista, o grupo interditou os dois sentidos da via na altura do Masp. Em seguida, caminhou rumo ao Paraíso, quando foi impedido por policiais. A PM usou novamente balas de borracha e bombas de efeito moral para liberar a pista. Na fuga, parte do grupo depredou bancas de jornais e estruturas de acesso para a estação Brigadeiro do Metrô.

Manifestantes também destruíram um vaso e jogaram uma espécie de pedestal contra o para-brisa de um carro que estava exposto no Shopping Paulista. O centro comercial também foi pichado.

Grupo critica PM
Em nota, os manifestantes criticaram a ação da PM. “Existem aproximadamente 30 feridos por balas de borracha e estilhaços de bombas de gás lacrimogênio. Muitos deles muito machucados no rosto”, afirmou o movimento em nota.

Um dos organizadores reafirmou que o MPL não tem responsabilidade por atos individuais de pessoas que aderiram ao protesto e acabaram praticando atos de vandalismo

Metrô estuda processos
Em nota, o Metrô lamentou os transtornos causados pelo protesto e disse que pretende processar os responsáveis pelos danos. Segundo o Metrô, as estações Brigadeiro e Trianon-Masp, da Linha 2,  a estação Vergueiro, da Linha 1, e  a estação Anhangabaú (Linha 3) foram alvo de vandalismo. Na Vergueiro, um segurança do Metrô ferido.

O Departamento Jurídico da Companhia vai estudar formas de responsabilizar os autores desses atos que causaram danos patrimoniais e colocaram em risco os usuários do sistema, garantindo que os contribuintes não tenham que arcar com o custo desse lamentável episódio de vandalismo”, informou a nota. No texto, o Metrô ressaltou que o reajuste da tarifa, de 6,7%, foi inferior à inflação do período.

Reajuste
As tarifas dos ônibus, do metrô e dos trens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) subiram de R$ 3 para R$ 3,20 no último domingo (2) em São Paulo. O aumento, anunciado em 22 de maio pela Prefeitura e o governo do estado, foi de 6,7%.

O aumento no transporte público, que normalmente ocorre no começo do ano, foi adiado após acordo do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, e do governador, Geraldo Alckmin, com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para ajudar a conter a alta da inflação.

A desoneração das alíquotas de PIS/Cofins para as empresas de transporte coletivo contribuíram para frear o aumento de tarifas. A medida havia sido anunciada no fim de maio pelo Ministério da Fazenda como uma forma de evitar reajustes maiores.

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