Análise: Dependência industrial de redução do IPI de veículos deve ser questionada

Janeiro acaba de ser divulgado e registra-se mais um resultado de peso. No entanto, há vozes que sugerem a inevitabilidade de impacto da recomposição gradual do IPI sobre as vendas futuras.

Isso é altamente improvável, a ponderar com frieza as características macro atuais. A primeira diz respeito ao fato de o Brasil, já em 1980, ter matriculado algo como 1,04 milhão de veículos; desde então, em vez de avançar, entrou em regressão, na tormenta que se convencionou chamar de “a década perdida”. Somente 13 anos depois, em 1993, voltou a ultrapassar essa marca emblemática, para novamente, em 1998, empacar, logo após haver superado a marca de mais de 1,9 milhão de veículos.

Retoma o crescimento a partir de 2004 e, ano a ano, começa a pagar a conta da demanda reprimida construída nesses dois momentos de recessão. De início aos pulos e nos últimos três anos dentro de um passo saudavelmente estável ao redor dos 5%.

Passo que só se torna suscetível a atropelos se lhe atravessar qualquer crise de crédito ou de emprego. Estamos fora dessa zona de sombra ou de previsível tormenta.

Some-se a continuada migração para cima das rotuladas classes média e as de mais embaixo, inserindo milhões de novos brasileiros a cada ano no consumo, imensa parte deles oriunda dos estágios preparatórios da TV LED, da máquina de lavar roupa, do celular, dos iPads, iPods e outros do gênero, para se lançar na etapa insubstituível do automóvel próprio.

Acrescente-se que o Brasil está sendo demograficamente alterado, com a participação crescente de sua população madura.

Esse grupo, pelos períodos de seca dos anos 1980 e do período 1998-2003, dá-se agora ao direito de exercitar o prazer da compra, e o faz sem culpas ou receios.

Não será o reajuste nos preços em razão do IPI retornado que fará esses mais de 4 milhões de nós renunciar ou adiar a substituição do veículo. Essa troca, a partir de referência de mercados maduros, verifica-se em períodos de 3 a 4 anos (com exceção dos períodos de crise).

Basta vermos como foram as vendas de 2007 a 2010.

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