Acervo da Petrobras sugere que funcionários foram monitorados durante a ditadura

Documentos descobertos nos acervos da Petrobras indicam que funcionários da estatal do petróleo foram monitorados por órgãos de inteligência durante a ditadura militar (1964-1985).

Os arquivos serão pesquisados pela Comissão Nacional da Verdade, que divulgou ontem a descoberta feita em parceria com a Petrobras.

Segundo a comissão, os documentos eram produzidos por uma divisão de informações ligada ao extinto Serviço Nacional de Informações (SNI) que atuava dentro da estatal.

Os dados mostram que a vida pregressa de funcionários era investigada para se decidir, por exemplo, sobre promoções, admissões ou permissão para viagens. O objetivo seria identificar funcionários com histórico “subversivo” ou outras atitudes que contrariassem interesses da Ditadura.

São cerca de 400 rolos de microfilmes, microfichas e documentos impressos, encontrados em uma unidade da Petrobras em Duque de Caxias (RJ) e na biblioteca central da empresa, no Rio.

“Havia uma rede de órgãos de segurança da informação, muito mais vasta do que imaginávamos, monitorando os órgãos ligados ao governo”, disse o secretário-executivo da Comissão da Verdade, Ricardo de Lins e Horta.

Para Horta, a descoberta pode indicar que outras empresas também tinham uma divisão de segurança da informação ainda desconhecida.

Ele afirma que os documentos poderão revelar casos em que os próprios funcionários não sabiam que eram vigiados pela estatal.

De acordo com a Comissão da Verdade, o acervo, que está sob a guarda da Petrobras, será totalmente digitalizado e remetido ao Arquivo Nacional em até seis meses.
pedidos

Folha teve acesso a documentos que mostram que, em São Paulo, a Petrobras solicitava ao Dops (Departamento de Ordem Política e Social) informações sobre possíveis funcionários.

Em um dos pedidos, de 17 de agosto de 1982 e com carimbo de “confidencial”, o chefe da Divisão de Segurança Interna da estatal lista dez nomes e solicita “investigação político-ideológica” e “outros dados julgados úteis”.

A resposta, enviada no dia 31 do mesmo mês, inclui a ficha de um dos nomes citados pela estatal, classificando-o como “elemento de entidade político-subversiva”.

Os documentos fazem parte do acervo do Arquivo Público de São Paulo e serão alvo de pesquisas da Comissão da Verdade paulista.

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