25% das metas de Kassab nem saíram do papel

A reforma do Theatro Municipal foi concluída. Das 260 mil lâmpadas que seriam trocadas, só a metade foi instalada. Já os três novos hospitais continuam no papel.

O prefeito Gilberto Kassab (PSD) divulgou ontem o balanço das 223 metas que se comprometeu a concluir até o último ano de seu mandato: 55% delas (123) foram “plenamente concluídas”.

Outros 20% (45) estão em andamento, mas um quarto dos compromissos assumidos (55) ficou no papel e ainda não traz nenhum benefício à população.

Com todo o secretariado reunido, num clima de despedida, Kassab avaliou sua administração como a “melhor possível”.

O prefeito disse que, se considerar as metas concluídas e as em andamento, a gestão atingiu 81% de eficiência. “Avançamos até onde podíamos avançar”, disse.

Kassab tentou justificar a não realização de duas de suas principais metas: a construção dos hospitais e de 66 km de corredores de ônibus. Disse que ampliou leitos e que licitações foram suspensas.

A concorrência dos corredores, porém, foi barrada pela Justiça só semana passada.

Kassab afirmou que as metas servem para guiar a administração e que seria “muito difícil para qualquer gestão chegar a 100% de eficácia”.

Sem citar nomes, criticou os idealizadores do plano de metas (ONGs) pela “má-fé” e pelo que chamou de “uso político” do programa, o que fará com que os prefeitos estabeleçam metas mais tímidas.

Ele disse ainda que seu sucessor, Fernando Haddad (PT), vai assumir uma “cidade melhor”, com dívidas quitadas e cerca de R$ 4,5 bilhões em caixa. O Orçamento total da cidade para 2013 é de R$ 42,1 bilhões.

Questionado sobre qual nota dava à sua gestão –no balanço de 2011 atribuiu “dez com louvor”–, Kassab disse que esse papel será da cidade.

“Eu sempre avaliei, até porque era importante passar para a equipe o meu sentimento. A partir de agora, quando se encerra nossa missão, caberá, ao longo do tempo, à própria cidade se manifestar em relação ao trabalho realizado.” Em seguida, recebeu aplausos e gritinhos da plateia de funcionários, que lotou o auditório da prefeitura, no centro.

ENGANAÇÃO

“Se ele tivesse cumprido as metas, ficaria radiante, não falaria isso. Mas, como não cumpriu, diz que é uso político”, afirma Oded Grajew, um dos idealizadores do plano.

O coordenador-geral da Rede Nossa São Paulo afirma ainda que o índice de eficácia usado por Kassab “é uma enganação” e que Haddad será cobrado caso não apresente metas ousadas.

Para Fabiano Angélico, mestre em administração pública pela FGV-SP, a prefeitura deveria apenas detalhar a execução das metas para que a população faça a avaliação.

A lei em vigor desde 2008 determina que o prefeito apresente um programa com suas prioridades, baseado na campanha. Não há punição para o descumprimento.

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